Isabel Cristina Oliveira dos Santos, de 22 anos, foi assassinada no último domingo (22) dentro do condomínio Le Parc, no Recife, em um crime cometido por seu ex-companheiro, Silvio Souza Silva, que tirou a própria vida em seguida. A estudante de medicina havia procurado a Delegacia da Mulher menos de um mês antes para denunciar perseguição, ameaças e violência doméstica. Ela deixa uma filha de 3 anos.
Isabel esteve na unidade policial no dia 27 de fevereiro e solicitou medida protetiva de urgência contra Silvio, conhecido nas redes sociais como Dom Silver. Na ocasião, ela foi orientada a retornar à delegacia nesta terça-feira (24). A jovem foi morta dois dias antes da data agendada.
O relacionamento entre Isabel e Silvio durou seis anos. Segundo o registro policial, o agressor já havia sido detido em 25 de janeiro por agredi-la. No dia seguinte à violência, a vítima viajou para São Paulo e, de acordo com seu relato, o ex-companheiro embarcou no mesmo voo e permaneceu dez dias no estado, um comportamento que ela considerou incompreensível.
Após o término, Silvio passou a fazer investidas constantes para tentar reatar a relação. Ele chegou a procurar os pais de uma amiga de faculdade de Isabel para pedir que intercedessem a seu favor. Bloqueado pela vítima em todas as redes sociais, o empresário utilizava transferências por Pix de pequenos valores como forma de contato, inserindo mensagens no campo de descrição.
O boletim de ocorrência também revela que, em outubro de 2025, Silvio enviou ameaças de morte pelo WhatsApp e proferiu agressões verbais contra Isabel. Em novembro do mesmo ano, ele arrombou a porta dos fundos do apartamento onde a jovem morava com a filha do casal, uma menina de 3 anos, alegando que tinha o direito de entrar porque era o responsável pelo pagamento do aluguel.
A vítima também relatou ter sofrido agressões físicas durante o relacionamento. Ao registrar a ocorrência em fevereiro, ela manifestou interesse em representar criminalmente contra o agressor e recusou a oferta de abrigo temporário feita pelo governo estadual, optando por permanecer em sua residência.
Em nota, a administração do Le Parc informou que Silvio e Isabel possuíam contrato de locação vigente e que ambos estavam com cadastros atualizados e regulares para acessar o residencial. O condomínio afirmou que não teve conhecimento da existência de medida protetiva, ação judicial ou qualquer procedimento que restringisse o acesso dos envolvidos.