Um áudio divulgado nas redes sociais neste domingo (10) e atribuído ao ex-marido da médica Juliana Brasil, indiciada pela morte do menino Benício Xavier, sugere que o homem teria buscado auxílio de um magistrado do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) para orientar e tranquilizar a investigada diante de diligências policiais.
Na gravação, ele relata ter acionado pessoas próximas ao juiz para discutir a situação da médica. “Tinha comentado sobre a situação tua com o Queiroz, sabe? O juiz, o marido da Juliana Queiroz. Ainda comentei com ela o que ia acontecer com ele, o que aconteceria hoje e tal”, afirma o interlocutor.
O ex-marido narra, em seguida, a resposta que teria recebido sobre a apreensão do celular de Juliana: “Ele até falou: ‘apoio só para ele poder pegar o telefone dela? Se tá nas investigações é um procedimento normal’. Mas a questão ali do cara de repente se exaltar, alguma coisa parecida, a questão da segurança dela e tal. Ele falou: ‘não cabe a ele fazer nada nem tratar ela com qualquer indiferença. Pelo contrário, ele leva o mandado, pega o que ele tem que pegar e vai embora. Mais nada além disso, até porque ele não vai prender ela’”.
‘Ele esteja do nosso lado’, diz ex-marido em áudio
Em outro momento da conversa, o homem manifesta expectativa de que o juiz pudesse favorecer Juliana no desenrolar do caso. “É um cara que possa ajudar a gente lá na frente. É um juiz que não é um cara fraco, é um cara que tem uma consciência bacana e a gente pode até dizer que ele esteja do nosso lado”, declarou.
O áudio ainda traz a alegação de que o magistrado, se responsável pelo processo, penalizaria o hospital. “Ele já falou por várias vezes que, se isso caísse na mão dele, quem ia sofrer as consequências seria o hospital”, diz o trecho localizado no aparelho telefônico da médica.
O advogado Sérgio Figueiredo, que faz a defesa de Juliana Brasil, afirmou que o áudio se refere a um “fato antigo”, sem qualquer relação com a investigada, e que envolve um “terceiro estranho ao processo”.
O caso
Benício Xavier morreu em novembro de 2025, após receber uma dose de adrenalina diretamente na veia durante atendimento no hospital Santa Julia. A médica Juliana Brasil foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, fraude processual e falsidade ideológica. Também foram indiciadas a técnica de enfermagem Raiza Bentes, que aplicou o medicamento, e diretores da unidade hospitalar.