O lutador de jiu-jítsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, investigado sob a acusação de abusar sexualmente de alunas durante treinamentos, conseguiu acessar um celular dentro da prisão e realizar videochamadas para intimidar testemunhas do processo. A grave denúncia foi apresentada pela deputada estadual Alessandra Campêlo e já está de posse do Ministério Público de São Paulo e das forças de segurança.
De acordo com a parlamentar, a entrada irregular do aparelho na unidade prisional foi arquitetada por um policial das forças especiais. O agente teria se valido de um horário fora do expediente para introduzir uma pessoa com um telefone, que então efetuou a ligação para que o investigado, que também é policial civil, fizesse as intimidações.
“Um policial que fazia parte das forças especiais se aproveitou de um horário fora do expediente, levou uma pessoa com um celular e essa pessoa fez a ligação de vídeo para que o Melqui Galvão ameaçasse testemunhas”, afirmou Campêlo.
Transferido do Amazonas para São Paulo na noite da última quinta-feira (7), Melqui Galvão segue custodiado no presídio da Polícia Civil. Ele havia sido preso temporariamente em 28 de abril, em Manaus, após a denúncia inicial de uma atleta de 17 anos. Com o desenrolar do inquérito, outras vítimas foram identificadas pelas autoridades. Ao menos seis adolescentes e mulheres já relataram episódios de abuso sexual supostamente ocorridos durante sessões de treino.
Todo o material audiovisual que documenta as supostas ameaças, segundo a deputada, já foi entregue ao Ministério Público paulista e aos órgãos de segurança encarregados da força-tarefa. A conversão da prisão temporária em prisão preventiva deve ser pedida.
Corregedoria age e policial é afastado
Assim que a denúncia chegou à cúpula da segurança pública, o delegado-geral determinou o afastamento imediato do policial apontado como facilitador do esquema, que seria irmão de Melqui Galvão. Alessandra Campêlo foi além e pediu formalmente o recolhimento do armamento funcional desse agente.
As investigações prosseguem sob o comando das autoridades de São Paulo, que analisam os depoimentos, os áudios e vídeos já reunidos e a possível rede de colaboração externa que permitiu as ameaças desde o interior da unidade prisional. Até o momento, a defesa de Melqui Galvão não se manifestou sobre as novas acusações.