O ex-professor de jiu-jitsu e policial civil Alcenor Alves Soeiro foi condenado a 178 anos, 5 meses de reclusão, 3 anos de detenção e 15 dias-multa pela 1.ª Vara Especializada em Crimes contra a Dignidade Sexual e Violência Doméstica a Crianças e Adolescentes de Manaus. A pena, em regime inicial fechado, foi aplicada pelo crime de estupro de vulnerável contra múltiplas ex-alunas, em um dos casos de abuso sexual mais chocantes envolvendo um agente da lei na capital amazonense.
As apurações tiveram início quando uma das vítimas decidiu romper o silêncio, o que motivou outras jovens a também denunciarem o ex-treinador. A repercussão das acusações levou à deflagração da “Operação Armlock”, que resultou na prisão do réu e na abertura do processo judicial.
Conforme ficou comprovado na instrução processual, Alcenor se valia da posição de autoridade como treinador para atrair adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade. Ele oferecia presentes, organizava viagens e pernoites na própria academia e, para consumar os abusos, dopava as vítimas com melatonina ou bebidas alcoólicas, tornando-as incapazes de reagir.
Na decisão, a juíza Dinah Câmara Fernandes Abrahão destacou a gravidade das violações cometidas. “A dignidade sexual, intimidade e integridade corporal são direitos de personalidade protegidos e, no caso em julgamento, ocorreu insofismável violação a todos eles”, escreveu na sentença. A magistrada também determinou o pagamento de indenizações por danos morais: R$ 50 mil para a quase totalidade dos ofendidos e de R$ 5 mil para um deles.
O ex-policial civil teve negado o direito de recorrer da sentença em liberdade, permanecendo preso. O processo segue em tramitação sob segredo de justiça, medida que visa proteger a identidade e a intimidade das vítimas, conforme determina a legislação para casos envolvendo crimes sexuais contra vulneráveis.