sexta-feira, 27 de março de 2026

Caso Benício: Delegado está proibido de falar sobre caso e MPAM ameaça afastamento em caso de descumprimento

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) expediu, nesta quinta-feira (27), uma determinação que proíbe o delegado Marcelo Martins de conceder entrevistas ou compartilhar informações parciais a respeito da investigação que apura a morte do menino Benício Xavier. A criança faleceu em novembro de 2025 no Hospital Santa Júlia, em Manaus. Caso a orientação seja descumprida, o delegado poderá ser afastado da condução do inquérito.

A decisão do órgão ministerial surge em meio a críticas formuladas pela defesa da médica Juliana Brasil Santos, que é investigada no caso. Na terça-feira (24), os advogados da profissional, chefiados por Sérgio Figueiredo, ingressaram com uma petição na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus pedindo o afastamento do delegado.

A defesa alega que houve vazamento de dados sigilosos e tentativa de direcionamento da opinião pública, sobretudo após declarações que teriam revelado detalhes de um relatório referente à extração de informações do telefone celular da médica.

Um dos pontos mais críticos do impasse gira em torno de um vídeo proveniente do sistema hospitalar TASY, empregado para prescrições médicas. O delegado Marcelo Martins declarou que a médica teria “encomendado e pago” pela manipulação do arquivo com o objetivo de justificar uma suposta falha no sistema, e não um erro médico. Em contrapartida, a defesa de Juliana sustenta que o vídeo não apresenta qualquer indício de adulteração e que, até o momento, nenhuma perícia técnica oficial foi realizada.

Os advogados também destacam que a difusão de informações sensíveis ocorreu na mesma época do depoimento da irmã da médica, o que, conforme a defesa, teria servido para construir uma narrativa tendenciosa com o intuito de influenciar o Tribunal do Júri.

Além do pedido de afastamento do delegado, a defesa solicitou à Corregedoria da Polícia Civil do Amazonas a instauração de apuração sobre o vazamento de dados, a entrega do código hash e a apresentação da cadeia de custódia referente às provas digitais.

O inquérito corre no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Manaus e permanece sob acompanhamento do Ministério Público e da Polícia Civil. A defesa de Juliana Brasil Santos afirma que monitora rigorosamente cada fase do procedimento. O prazo estipulado para a conclusão das investigações é de 45 dias, quando os autos deverão ser remetidos ao Poder Judiciário.

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