Após quase cinco anos de espera, chegou ao desfecho na noite de quarta-feira (17) um dos casos policiais de maior comoção na história de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. O tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcellos foi sentenciado a 70 anos, seis meses e 15 dias de prisão, em regime fechado, pelo triplo homicídio que vitimou a esposa Nahatty Gomes, de 33 anos e grávida de seis meses, e os sogros Rosemary Gomes da Cunha, 67, e Wellington Gomes Melo, 75. O crime ocorreu em agosto de 2021, no bairro Cônego.
O julgamento, realizado no Tribunal do Júri do Fórum local, consumiu cerca de 29 horas distribuídas em dois dias. A sessão mobilizou parentes das vítimas, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, advogados e dezenas de pessoas que acompanharam o processo desde o início.
Na sentença, a juíza Simone Dalila Nacif condenou o réu pelos três assassinatos e pelo crime de aborto provocado. Os jurados acolheram circunstâncias que agravaram a pena, como feminicídio, violência doméstica, o estado de gravidez da vítima e a impossibilidade de defesa das vítimas durante o ataque.
Ao fixar a punição, a magistrada considerou que as provas demonstravam que o acusado estava plenamente consciente de seus atos na data dos crimes. A hipótese de surto psicológico, sustentada pela defesa, foi rechaçada. A decisão destacou que, horas antes dos assassinatos, o réu executou tarefas cotidianas, negociou a aquisição de uma arma e adotou conduta incompatível com um quadro de incapacidade mental.
Defesa insistiu em transtorno bipolar
Durante o júri, os advogados de Ricardo Jucá reiteraram que ele não tinha pleno discernimento no momento dos fatos. A defesa apresentou aos jurados um diagnóstico de transtorno bipolar confirmado em 2024 e argumentou que o tabelião teria experimentado um episódio de surto de euforia. Segundo essa versão, o quadro teria sido potencializado pelo uso de medicamentos controlados sem supervisão médica adequada, automedicação e consumo de substâncias anabolizantes, inclusive produtos veterinários.
Embora a pena tenha ultrapassado 70 anos, advogados que monitoram o caso projetam que o condenado deverá permanecer aproximadamente 35 anos e três meses em regime fechado antes de obter eventual progressão.