segunda-feira, 1 de junho de 2026

Após apanhar de piloto, adolescente morre em hospital do DF e empresário ganha cela especial

A Justiça do Distrito Federal determinou que o empresário e piloto Pedro Turra, de 19 anos, cumpra a prisão preventiva em cela separada dos demais detentos. A medida, segundo o juiz do caso, busca preservar a integridade física do acusado diante da grande repercussão do episódio que o envolve.

Turra é investigado por uma agressão ocorrida no bairro de Vicente Pires, em Brasília, que deixou um adolescente de 16 anos em estado de coma. Conforme apurado pela polícia, a confusão teria começado após o arremesso de um chiclete em um amigo da vítima. Imagens registradas no local mostram o momento em que o piloto empurra o jovem, que perde o equilíbrio, atinge um veículo estacionado e desmaia.

O empresário foi preso na sexta-feira (30) pela Polícia Civil, e a prisão foi mantida após audiência de custódia realizada no sábado. Apesar da confirmação da detenção, o magistrado determinou que ele permaneça isolado, considerando os riscos decorrentes da visibilidade do caso.

A decisão gerou reação da defesa do adolescente ferido. Em nota, os advogados afirmaram que a concessão de cela especial causa “profundo desconforto” e reforça a percepção de tratamento diferenciado. Para a defesa, o acusado estaria recebendo privilégios em razão de sua condição social e de sua família influente na capital federal. “A justiça deve ser igual para todos, sem distinções que afrontem o sentimento coletivo de equidade e respeito às vítimas”, diz o comunicado.

Já a defesa de Pedro Turra afirmou que o jovem relatou ameaças de morte durante a audiência de custódia e acusou os policiais responsáveis pela prisão de falharem na proteção do custodiado. O advogado Eder Fior também criticou o que chamou de “espetacularização” do caso, alegando que houve desrespeito a uma decisão judicial que determinava a preservação da imagem do acusado, o que teria aumentado os riscos à sua segurança.

Inicialmente, Turra havia sido preso um dia após a agressão, mas foi liberado após o pagamento de fiança de R$ 24 mil, passando a responder ao inquérito em liberdade por lesão corporal. A nova ordem de prisão foi expedida depois que a polícia apresentou indícios de envolvimento do empresário em outros episódios de violência.

Entre os relatos, está a denúncia de que ele teria utilizado uma arma de choque contra uma adolescente de 17 anos para constrangê-la a consumir bebida alcoólica durante uma festa. Outro homem também procurou a delegacia afirmando ter sido agredido por Turra em junho do ano passado.

Após a repercussão do caso, o piloto foi desligado da Fórmula Delta, competição de automobilismo da qual participava.

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