sexta-feira, 17 de julho de 2026

‘Fui carregada por pacientes’: nova denúncia do Hospital Check Up envolve mesma médica de caso que quase mat0u empresário

Uma nova denúncia de negligência médica e abandono de paciente acende mais um alerta sobre o Hospital Check Up, unidade particular localizada no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus. A vítima agora, uma mulher que preferiu não se identificar, portadora de múltiplas condições graves de saúde, relata ter desmaiado na recepção da unidade e recebido socorro não por profissionais do hospital, mas por outros pacientes que aguardavam atendimento. A médica que a atendeu, segundo seu relato, foi Ana Clara Beltrão, a mesma profissional envolvida no caso de negligência que quase matou um empresário no dia 4 de julho deste ano, dentro da mesma unidade.

A mulher convive com um quadro clínico severo: fibromialgia, endometriose profunda, adenomiose e comprometimento de órgãos, incluindo ovário e trompa presos ao intestino. Na madrugada de domingo para segunda-feira (12), ela deu entrada no Check Up em crise aguda, com indícios de paralisia de uma alça intestinal.

“Eu não conseguia falar, estava com sensibilidade de luz, de barulho. Eu desmaiei na recepção”, relata. O cenário que se seguiu foi de completo desamparo. “Não tinha maca. Eu desmaiei, os próprios pacientes me carregaram para colocar na cadeira de rodas e me levaram para a medicação”.

Sem prontuário e abandono por horas

Ainda segundo a paciente, a médica Ana Clara Beltrão realizou um atendimento superficial, sem anamnese adequada. “Ela só viu o meu histórico, me deu nubain, dexametasona e dipirona, e falou que depois de meia hora ela vinha fazer a consulta. Isso se passou horas e horas. Eu sentada, com tremor, chorando de dor. A dor não passou”.

O abandono foi agravado por uma falha administrativa grave, segundo a mulher: a médica não registrou nenhuma informação no prontuário da paciente. Quando houve a troca de plantão, os novos médicos que assumiram o atendimento não sabiam quem ela era, qual era seu quadro clínico ou quais medicamentos haviam sido administrados.

“Ninguém sabia do meu prontuário, ninguém sabia o meu nome. A médica não tinha anotado nada no meu prontuário. Ela mandou dar a medicação, a enfermeira dar a medicação, mas ela não anotou nada no meu prontuário”, denuncia. “Passaram mais dois médicos comigo e ninguém sabia o que era, o que eu estava passando, o que estava acontecendo”.

Por volta das 3h30, o “calvário” continuava e ela decidiu buscar atendimento em outro hospital, o Adventista de Manaus, onde enfim recebeu os cuidados necessários.

O histórico do Hospital Check Up

O relato de Raquel se soma a um caso ainda mais grave, que está sob investigação da Polícia Civil do Amazonas. No dia 4 de julho, um empresário manauara deu entrada no Check Up com quadro clássico de Acidente Vascular Cerebral (AVC). O que se seguiu foi uma corrente de erros que quase o levou à morte.

A médica Ana Clara Beltrão informou inicialmente à família que não havia vaga de UTI e que o paciente seria transferido para o Hospital Santa Júlia. Quando a família conseguiu o leito, a própria médica voltou atrás e disse ter obtido a vaga no Check Up.

O empresário ficou desassistido em um leito, quase se “afogou” com vômito segundo a família e teria recebido uma dosagem excessivamente alta de nitroprussiato, medicamento que exige controle rigoroso.

Os erros também se estenderam à administração do hospital, que cobrou R$ 60 mil de caução mesmo com o plano de saúde cobrindo o procedimento. Diante de tantos equívocos, o paciente foi transferido em UTI aérea para São Paulo, onde enfim está em tratamento no Hospital Sírio Libanês.

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