sábado, 18 de julho de 2026

Investigação sobre viagem de David Almeida ao Caribe está parada há mais de 1 ano; magistrados se declararam suspeitos

Pedido para investigar viagem ao Caribe de David Almeida está parado há mais de 1 ano no TJAM e já passou por cinco desembargadores

O pedido do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para investigar o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), está parado no Tribunal de Justiça do Estado (TJAM) há mais de um ano. O procedimento, protocolado em setembro de 2024, busca apurar possíveis irregularidades na relação do gestor com empresários que mantêm contratos milionários com a Prefeitura de Manaus. A investigação depende de autorização judicial, já que o prefeito possui foro privilegiado.

Desde que foi protocolado, o processo passou pelas mãos de cinco desembargadores, incluindo Jorge Manoel Lopes Lins, Ernesto Anselmo Queiroz Chíxaro e Vânia Marques Marinho. Os dois primeiros se declararam suspeitos por motivos de foro íntimo, o que atrasou o andamento da solicitação. Lins chegou a recusar o caso duas vezes, enquanto Chíxaro só redistribuiu o processo meses após declarar a suspeição. Em junho de 2025, a ação foi sorteada para a desembargadora Vânia Marques Marinho, que atualmente conduz o procedimento. O TJAM justificou a demora citando a migração de sistemas eletrônicos internos, o que teria impactado a tramitação.

O MP-AM pretende investigar duas viagens do prefeito ao Caribe, realizadas durante os carnavais de 2024 e 2025, supostamente em jato particular cedido pelo empresário Roberto de Souza Lopes, que mantém contratos com o município. Em uma das ocasiões, a primeira-dama Izabelle Fontenelle foi filmada em uma festa na ilha de São Martinho ao lado de empresários ligados à prefeitura. A Promotoria busca esclarecer se houve uso de recursos públicos ou vantagem indevida nessas viagens.

As apurações também envolvem possíveis vínculos familiares com empresas contratadas pela prefeitura. A sogra do prefeito, Lidiane Oliveira Fontenelle, aparece como administradora da empresa Murb Manutenção e Serviços Urbanos Ltda., responsável por contratos que somam mais de R$ 300 milhões com a administração municipal. Ela também é dona da microempresa LOF Fênix, que recebeu pagamentos mensais de R$ 20 mil de uma fornecedora da prefeitura. O caso segue sob análise da desembargadora Vânia Marques Marinho, que deverá decidir se autoriza ou não o início das investigações criminais.

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