Um ato de heroísmo terminou em tragédia na noite desta quinta-feira (16) na rua das Margaridas Amarelas, no Jardim Ângela, Zona Sul de São Paulo. O motorista Alisson Oliveira de Jesus, de 42 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça após usar o próprio carro para impedir o roubo de um entregador que estava sendo abordado por dois criminosos armados.
Alisson, que trabalhava como supervisor em uma empresa de cimentos e também atuava como motorista de aplicativo, voltava de um treinamento quando presenciou a cena de violência. Sem hesitar, ele acelerou o Hyundai HB20 preto que dirigia e jogou o veículo contra a motocicleta dos assaltantes.
Com o impacto violento, os dois suspeitos foram arremessados ao solo e a moto ficou presa sob o carro, que só parou ao invadir parcialmente o muro de um bar. Apesar da queda, um dos criminosos conseguiu se levantar rapidamente, sacou a arma e efetuou disparos que atingiram a cabeça de Alisson. O motorista não resistiu aos ferimentos e morreu no local, ainda dentro do automóvel destruído.
“Eu vi tudo, mano. O cara salvou a minha vida. O cara morreu”, desabafou o entregador, identificado como Thiago Lopes, em um vídeo publicado nas redes sociais logo após o ocorrido. Visivelmente abalado, ele relatou que fazia sua última entrega da noite quando foi surpreendido pelos assaltantes e tentou fugir, mas foi perseguido até a intervenção fatal de Alisson.
Após os disparos, os criminosos abandonaram a motocicleta usada no crime e fugiram a pé. Imagens de câmeras de segurança da região devem auxiliar nas investigações para identificar e localizar os responsáveis, que seguem foragidos.
Natural de Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, Alisson Oliveira de Jesus deixa duas filhas pequenas que moram em Minas Gerais. Ele não tinha parentes em São Paulo. A Votorantim Cimentos, empresa onde atuava como chefe de produção, divulgou nota lamentando profundamente a morte do funcionário e informou que está prestando assistência aos familiares.
O caso foi registrado no 47º Distrito Policial do Capão Redondo e as investigações estão sob responsabilidade do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A Polícia Civil trata o ocorrido como latrocínio, roubo seguido de morte.