Yasmin Amorim, de 12 anos, morreu nesta sexta-feira (6) em Cascavel, no oeste do Paraná. A menina lutava desde os cinco anos contra um neuroblastoma, um tipo agressivo de câncer, e sua história ganhou notoriedade nacional em 2024, quando empresários desviaram R$ 2,5 milhões destinados ao seu tratamento.
A confirmação do óbito foi dada pela família. Yasmin estava internada no Hospital do Câncer de Cascavel quando seu estado de saúde se agravou na madrugada de sexta-feira (6). Sua mãe, Daniele Aparecida Campos, relatou nas redes sociais que uma corrente de oração estava marcada para as 20h, mas a filha não resistiu.
Diagnosticada em 2018, Yasmin havia enfrentado a doença com sucesso em duas ocasiões, entrando em remissão após tratamento inicial e, posteriormente, após um transplante de medula óssea. Contudo, em 2024, o câncer retornou.
A Justiça determinou que o governo do Paraná custeasse um tratamento com medicamentos importados, avaliado em R$ 2,5 milhões. A empresa Blowout Distribuidora, Importação e Exportação Eireli foi contratada para o fornecimento, mas subcontratou outra importadora que não cumpriu o combinado. O hospital recebeu apenas uma ampola do medicamento principal, Danyelza, quando eram necessários seis, e apenas 10 caixas de um segundo remédio, Leukine, de um total de 60.
A fraude atrasou dramaticamente o tratamento. De acordo com a sentença judicial, Yasmin precisou usar morfina a cada uma hora para suportar a dor enquanto aguardava os remédios. A Polícia Civil constatou que as contas das empresas envolvidas estavam praticamente sem saldo e que os responsáveis tinham antecedentes por estelionato.
Dois dos envolvidos, Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux, foram condenados por estelionato a penas que somam quatro anos, nove meses e cinco dias de prisão em regime fechado. Eles estão presos desde agosto de 2024. A defesa de Hermes informou que vai recorrer; a de Reinaux não se manifestou.
O governo do estado autorizou uma nova compra emergencial, mas o atraso foi determinante. Yasmin concluiu a primeira fase do tratamento no fim de 2024 sem resposta significativa. Em 2025, iniciou a segunda fase, mas não conseguiu completá-la, e a doença avançou.