Em entrevista à CBN João Pessoa nesta segunda-feira (01), a juíza Conceição Marsicano, titular da 2ª Vara de Garantias, afirmou que determinou o atendimento psiquiátrico adequado para Gerson Melo Machado, mais conhecido como “Vaqueirinho”, de 19 anos, mas que ainda assim “faltou acolhimento” ao jovem. Gerson morreu após invadir a jaula dos leões no Parque Arruda Câmara e ser atacado por uma leoa. Ele era portador de transtornos mentais e possuía passagens pela polícia.
Segundo a magistrada, o processo teve início com uma avaliação psicossocial, seguida de uma decisão judicial que determinou o acolhimento psicológico que, no entanto, não foi executado de forma satisfatória. Ao tomar conhecimento das falhas do poder público, a juíza adotou novas providências no processo. Gerson cumpria medida no Presídio do Róger por furto, local onde já havia estado outras vezes.
“É uma situação bem particular, pois quando tomei conhecimento, ele estava no presídio sem ter realizado exames ou qualquer avaliação”, explicou Marsicano.
A juíza relatou que entrou em contato com as secretarias estadual e municipal de saúde para entender as omissões no caso. “Não tínhamos um laudo formal que atestasse o problema de saúde mental, mas, obtendo esse documento, o removi do presídio. Ele precisava avançar no tratamento, então o encaminhei ao CAPS AD, que deveria tê-lo acolhido excepcionalmente o que não ocorreu”, destacou. A mãe e a avó de Vaqueirinho tinham esquizofrenia e por isso ele saiu do lar familiar ainda pequeno. Ele também desenvolveu a esquizofrenia.
Marsicano também mencionou dificuldades em obter informações sobre vagas em unidades terapêuticas. “Já solicitei esclarecimentos e não obtive resposta. É necessário que os gestores forneçam essas informações”, concluiu.