Um juiz aposentado que usou uma identidade falsa por mais de quatro décadas terá que passar por uma nova perícia psiquiátrica após decisão da Justiça de São Paulo. O laudo anterior, que apontava que ele tinha consciência dos próprios atos, foi considerado insuficiente pelo magistrado responsável pelo caso.
José Eduardo Franco dos Reis adotou o nome falso Edward Albert Lancelot Dodd-Canterbury Caterham Wickfield ainda nos anos 1980. Com os documentos falsificados, ele conseguiu ingressar no curso de Direito da Universidade de São Paulo e, em 1995, foi aprovado em concurso para o Tribunal de Justiça de São Paulo, onde atuou por 23 anos até se aposentar em 2018.
A fraude só veio à tona quando ele procurou um posto do Poupatempo para emitir uma nova via do RG com o nome estrangeiro. Durante o atendimento, as digitais foram confrontadas com o banco de dados oficial, revelando sua verdadeira identidade após mais de quatro décadas usando documentos falsos.
O caso levou o Ministério Público de São Paulo a denunciar o ex-magistrado por falsidade ideológica e uso de documento falso. A defesa alega que ele apresenta problemas psiquiátricos, o que poderia afastar a responsabilidade criminal.
Ao analisar o processo, o juiz entendeu que o laudo produzido pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo não aprofundou pontos importantes sobre a condição mental do acusado. Por isso, determinou a realização de uma nova avaliação, que será feita por um especialista indicado pela Justiça.