A jovem Geniane Pereira, de 20 anos, assassinada a facadas na manhã de sexta-feira (24) em Pontal, interior de São Paulo, era alvo de assédio frequente por parte do agressor, Cleomar Borges Gomes, mas sempre recusou qualquer aproximação. É o que apontam os depoimentos colhidos pela Polícia Civil. O homem é pai de sua melhor amiga.
De acordo com o delegado Claudio Messias, responsável pelas investigações, testemunhas afirmaram que a vítima mantinha um tratamento educado e simpático com todos ao seu redor, comportamento que o suspeito interpretou de forma distorcida. “Os relatos que colhemos é que, por ela ser uma pessoa aparentemente simpática, esse cidadão passou a interpretar errado essa forma dela de se relacionar. Tem um relato aí que certa feita ele teria até se aproximado dela e tocado nos seios dela”, revelou o delegado.
O crime ocorreu por volta das 9h, na rua Albano Meneghelli, enquanto Geniane seguia para o trabalho ao lado da filha do agressor. Cleomar atacou a jovem em plena via pública, desferindo ao menos nove golpes de faca, e fugiu logo em seguida. Até o momento, ele não foi localizado.
Geniane e a amiga haviam saído de Turmalina, em Minas Gerais, no dia 10 de abril e se mudaram para a casa de Cleomar, também natural da mesma cidade mineira, motivadas por uma oportunidade de emprego. A relação, no entanto, se deteriorou rapidamente. Segundo o delegado, as jovens contaram ao suspeito que tinham conhecido um possível namorado na cidade, o que o enfureceu. A partir daí, ele passou a insultá-las com xingamentos pesados, levando-as a procurar outro lugar para morar. “Só que não deu tempo”, lamentou Messias.
Testemunhas relataram à polícia que as duas amigas foram abordadas por Cleomar na véspera do crime, exatamente no mesmo trajeto. “Parece que ele estava monitorando, para saber o trajeto que elas faziam de casa para o trabalho”, explicou o delegado. Já na sexta-feira, ao avistarem o agressor encapuzado e encostado em um portão, as jovens reconheceram a ameaça iminente. Cleomar chamou a vítima pelo apelido de “Geninha” e partiu para o ataque sem dar chance de defesa.
Geniane ainda foi socorrida e levada à Santa Casa de Pontal, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. O caso foi registrado como feminicídio e segue sob investigação.