Um feminicídio chocou moradores de Carapicuíba, na Região Metropolitana de São Paulo, na noite desta segunda-feira (30). Lucélia Aparecida Nascimento da Silva, de 38 anos, foi morta a golpes de faca dentro da própria residência, na presença do filho do casal, uma criança de apenas sete anos. O principal suspeito, Cícero Bezerra da Silva, de 51 anos, ex-companheiro da vítima, fugiu logo após o ataque, mas acabou localizado e detido por equipes da Polícia Militar horas mais tarde.
A vítima contava com uma medida protetiva de urgência contra o agressor. Cícero já havia desrespeitado a ordem judicial na semana anterior, quando agrediu Lucélia e foi preso em flagrante. Na ocasião, porém, ele acabou sendo liberado ainda na audiência de custódia, sem que lhe fosse imposto o uso de tornozeleira eletrônica. Dois dias após deixar a delegacia, o homem retornou à casa da ex-companheira para cometer o crime.
Parentes da vítima relatam que os 20 anos de relacionamento, do qual nasceram dois filhos, foram marcados por um histórico de abusos e ciúmes excessivos. Patrícia Nascimento, irmã de Lucélia, contou que o suspeito costumava fazer ameaças constantes de morte. Na noite do crime, ele teria forçado a entrada no imóvel sob a justificativa de que o endereço também lhe pertencia.
O primo da vítima, Douglas Silva, classificou o episódio como uma “tragédia anunciada” e apontou falhas na rede de proteção à mulher. Para ele, o descumprimento da medida protetiva e a agressão ocorrida dias antes deveriam ter sido suficientes para manter o agressor preso. Após matar Lucélia, o autor do feminicídio chegou a enviar uma mensagem de áudio ao filho de sete anos, demonstrando não haver arrependimento e dizendo que buscaria a criança em breve.
O crime foi descoberto após uma vizinha ouvir os gritos da criança e acionar o socorro. Lucélia não resistiu aos ferimentos e faleceu ainda no local, antes da chegada das equipes médicas. A ocorrência mobilizou viaturas da Polícia Militar, que realizaram buscas na região até localizar o paradeiro de Cícero Bezerra da Silva.
O detido foi levado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri, onde o caso foi registrado. Ele permanece à disposição do Poder Judiciário e deverá responder pelo crime de feminicídio.