O escritório que hoje atua na defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já representou a desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, em um processo antigo que envolvia suspeitas de irregularidades financeiras. Foi Solange quem determinou a soltura do executivo na sexta-feira (28), decisão que reacendeu discussões sobre episódios anteriores envolvendo seu nome.
Em 2010, uma auditoria da Associação dos Juízes Federais da 1ª Região apontou contratos de empréstimos simulados firmados por ex-presidentes da Ajufer, entre eles Solange Salgado. As operações, feitas com a FHE/Poupex, somavam cerca de R$ 6 milhões e teriam causado prejuízo superior a R$ 20 milhões, com uso indevido de dados de magistrados e repasses considerados suspeitos. O caso motivou pedidos de investigação disciplinar no ano seguinte, mas a punição que chegou a ser aplicada foi anulada pelo CNJ por questão de quórum, sem alteração das conclusões da auditoria.
Durante o processo disciplinar, Solange foi defendida pelo escritório Bottini & Tamasauskas Advogados, o mesmo que hoje integra a defesa de Vorcaro. À época, o TRF-1 rejeitou denúncia contra a magistrada sobre uma suposta venda irregular de sala comercial, embora a acusação contra outro ex-dirigente da Ajufer tenha avançado. A desembargadora também chegou a responder a acusações de apropriação de valores ligados a contratos de empréstimos feitos em nome de juízes que não tinham conhecimento das operações.
Solange Salgado tem trajetória extensa na magistratura e já atuou em diferentes frentes do Judiciário. No caso atual envolvendo o Banco Master, primeiro manteve as prisões dos investigados, mas depois concluiu que não havia risco real de fuga por parte de Vorcaro, substituindo a prisão por medidas cautelares.