sábado, 18 de julho de 2026

‘Arrancaram a cabeça do meu sobrinho’, diz tia de traficante morto em megaoperação no RJ

Moradores dos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, relatam cenas de extrema violência após a megaoperação policial que deixou 121 mortos — a mais letal da história do país. Entre as denúncias, uma das mais chocantes é a da manicure Beatriz Nolasco, que afirma que seu sobrinho, Yago Ravel Rodrigues, de 19 anos, foi decapitado por agentes de segurança durante a ação.

Segundo Beatriz, o corpo do jovem foi encontrado em uma área de mata, e a cabeça teria sido pendurada em uma árvore. “Meu sobrinho não tinha tiro nenhum. Apenas arrancaram a cabeça dele e deixaram lá”, relatou a moradora, que vive no Complexo do Alemão há 15 anos. A tia afirma que Yago trabalhava como mototaxista e não tinha qualquer envolvimento com o crime. A informação sobre a decapitação, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades.

A família de Yago descobriu a morte por meio de um vídeo que circula nas redes sociais, no qual um morador aparece recolhendo a cabeça do rapaz. “Foi assim que a gente soube. Os próprios moradores se juntaram para juntar os corpos e colocar em lençóis”, contou Beatriz.

Enquanto isso, o clima é de desespero e incerteza entre os parentes das vítimas. Desde as primeiras horas do dia, dezenas de famílias se concentram no Instituto Médico Legal (IML), no centro do Rio, para reconhecer os corpos. A Defensoria Pública montou um posto de apoio no local para acompanhar o atendimento e prestar assistência jurídica e psicológica.

A moradora Aline Alves da Silva contou que ainda não tem notícias do irmão, Alessandro. Já Tamara Ferreira e Tharsiellen Teixeira Francisco afirmam que o pai de seus filhos, Nelson Soares, 29, está entre os mortos. Segundo elas, os policiais teriam impedido moradores de resgatar os corpos durante a noite, usando tiros e spray de pimenta. “Muitos estavam rendidos, mas eles mataram. O que fizeram foi covardia. A gente só quer dignidade pra enterrar nossos parentes”, desabafou Tharsiellen.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, responsável pela perícia e identificação dos corpos, não divulgou previsão para a conclusão dos trabalhos. As denúncias sobre execuções, tortura e desaparecimentos estão sendo reunidas por entidades de direitos humanos e pela Defensoria Pública, que devem encaminhar um pedido de investigação formal ao Ministério Público estadual.

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