O juiz Luís Carlos de Valois Coelho, figura conhecida por decisões controversas e publicações incendiárias nas redes, acaba de protagonizar mais um capítulo polêmico. Desta vez, o magistrado determinou ao Instagram a remoção dos vídeos que mostram Izabelle Fontenelle, esposa do ex-prefeito e pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida, num momento que deveria ser apenas protocolar, mas virou um desastre de imagem.
As imagens foram originalmente captadas em fevereiro de 2025, dentro de uma creche municipal em Manaus. Nelas, Izabelle aparece sentada à mesa, tentando comer um prato de macarrão enquanto ensaia uma expressão que pretendia ser de satisfação, mas que foi imediatamente interpretada como puro desprezo e nojo. Para completar a cena, a então primeira-dama ostentava no pulso um relógio Cartier avaliado em impressionantes R$ 234 mil, valor mais do que suficiente para desmentir qualquer tentativa de empatia com a “comida de pobre”, como parte da população não demorou a apontar.
Curiosamente, o vídeo que agora se tenta apagar não era um vazamento clandestino, nem uma gravação roubada. Foi a própria administração municipal, à época sob comando de David Almeida, quem produziu e divulgou o conteúdo institucional. A peça publicitária, no entanto, saiu pela culatra. A avalanche de comentários ácidos e memes implacáveis fez o pré-candidato recuar e buscar o caminho mais drástico: pedir à Justiça que o passado fosse deletado. E Valois atendeu.
A decisão do juiz foi além da remoção do vídeo. Determinou também a derrubada de perfis que republicaram o trecho. Um movimento que, para críticos, soa como censura a um conteúdo que nada tem de sigiloso, ilegal ou ofensivo.
Luís Carlos Valois não se limitou a autorizar a remoção do vídeo e a derrubada de perfis. O mesmo magistrado que agora apaga da internet uma cena de macarrão institucional também protagonizou, recentemente, um embate virulento com a família Bolsonaro.
Quando o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro classificou a prisão domiciliar do pai, Jair Bolsonaro, como um “cativeiro”, Valois respondeu com veneno: “Mas prisão domiciliar não era impunidade?!”. A réplica incendiou as redes sociais. A troca de farpas se deu em meio ao endurecimento das condições impostas a Jair Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Na ocasião, o senador Flávio Bolsonaro foi impedido de visitar o pai por 90 dias.
Mas as alfinetadas digitais de Valois é apenas uma das camadas de sua biografia controversa. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já investigou o magistrado, apontando “conduta incompatível com os deveres funcionais de magistrado” por causa de seus posts políticos. Titular por quase 26 anos da Vara de Execuções Penais de Manaus, o juiz também já teve o gabinete e a residência revistados pela Polícia Federal por suposta ligação com integrantes da antiga facção criminosa Família do Norte (FDN). Em 2024, deixou a Execução Penal e, agora, decide o que pode ou não circular na internet sobre a esposa de um pré-candidato ao governo.