Um emaranhado de traições, mortes suspeitas e cobranças abriu uma nova e tenebrosa página na investigação do assassinato de Thaliton Henrique Dias Machado. O pai da vítima, Ozanan Ricardo Machado, preso sob a acusação de encomendar a morte do próprio filho, agora é apontado pela Polícia Civil como suspeito de envolvimento em outro crime familiar: o desaparecimento e possível homicídio de sua primeira esposa, Aparecida Almeida Dias, mãe de Thaliton, ocorrido há cerca de 20 anos em Pires do Rio. A frieza do suspeito foi além: durante o velório do rapaz, Ozanan simulou choro e ainda consolou o outro filho.
Ozanan foi capturado em Senador Canedo na última segunda-feira (4), após passar 10 dias foragido. Ao seu lado estava a atual esposa, Simone Viana Silva, também presa por suspeita de ter intermediado o assassinato do enteado. Fechando o ciclo macabro, a polícia prendeu Wanderson da Silva Sousa, irmão de Simone, apontado como o executor dos disparos que tiraram a vida de Thaliton.
O crime que abalou Trindade ocorreu em 23 de janeiro deste ano, numa chácara na zona rural do município. O jovem foi surpreendido a tiros enquanto caminhava em direção à horta e morreu no local. A motivação financeira logo veio à tona: Thaliton cobrava do pai uma dívida de aproximadamente R$ 50 mil e, para silenciar a cobrança, o pai teria pago R$ 15 mil para Wanderson e fornecido a arma para o crime. Simone ajudou no contato com o irmão.
Contudo, o dinheiro não era a única sombra que pairava entre pai e filho. Thaliton também ameaçava denunciar Ozanan pelo desaparecimento da própria mãe, Aparecida, um fantasma que assombra a família há duas décadas. Essa suspeita antiga agora ressurge com força: a Polícia Civil de Trindade já solicitou os registros físicos da morte de Aparecida à delegacia de Pires do Rio, mas a documentação, perdida no tempo, ainda não foi localizada.
Como se não bastasse a teia de crimes, outro filho de Ozanan entregou à polícia um áudio gravado clandestinamente. Na gravação perturbadora, o pai trama com uma terceira pessoa o assassinato da própria esposa Simone e do cunhado Wanderson, numa tentativa desesperada de eliminar testemunhas e obstruir as investigações.
Wanderson chegou a confessar o homicídio em interrogatório, mas recuou ao silêncio após a chegada de seu advogado. Os três permanecem presos preventivamente, enquanto a polícia tenta localizar os documentos que podem finalmente desvendar se Aparecida foi mais uma vítima fatal de Ozanan.