As lágrimas de um menino de apenas 3 anos, registradas em vídeo no último fim de semana, agora ecoam como um grito silencioso por justiça em Palmas. Gustavo Veloso Feitosa aparece chorando, com a voz embargada, ao explicar à mãe por que não queria passar os dias na casa do pai. A resposta, curta e devastadora, ficou gravada: “Porque ele me bate”. Na última segunda-feira (3), a criança estava morta.
A versão apresentada pelo pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, não convenceu preliminarmente a perícia. Ele alegou que o filho havia se afogado na piscina da residência, mas o laudo inicial do Instituto Médico Legal de Palmas (IML) revela que a criança apresentava múltiplas lesões pelo corpo, marcas de agressão no rosto e uma dilaceração intestinal que provocou hemorragia interna, a provável causa da morte.
O diretor do IML, médico legista Eduardo Godinho, não escondeu o impacto do caso. Com 18 anos de experiência, ele classificou a cena como uma das mais chocantes de sua carreira. “No exame preliminar, a causa da morte, aparentemente, foi por laceração intestinal e sangue. Ele teve hemorragia interna e externa”, detalhou.
O inquérito policial corre em sigilo, mas o delegado Eduardo Menezes já admite que a versão inicial do pai está sob forte suspeita. “Há indícios claros de que a versão inicialmente declarada pelo pai não vai se sustentar”, afirmou. A investigação, agora, busca aprofundar as provas para cravar se houve homicídio e quem foi o responsável.
O drama familiar, no entanto, já se desenrolava nos tribunais antes da tragédia. Os pais de Gustavo travavam uma acirrada disputa judicial, com a guarda compartilhada do menino. A mãe movia uma ação de cobrança de pensão alimentícia e, segundo seus advogados, não podia impedir as visitas ao pai sob risco de ser acusada de alienação parental, mesmo diante do choro e dos relatos de agressão que a criança verbalizava.
Na manhã da segunda-feira, foi o próprio Igor quem procurou a polícia para comunicar o óbito. Sua defesa sustenta que ele retirou o menino da água, prestou os primeiros socorros e o colocou para descansar, só percebendo a ausência de sinais vitais horas depois. A versão, contudo, contrasta de forma gritante com a frieza das evidências físicas.
Enquanto as investigações avançam, o pequeno Gustavo foi velado em uma igreja na quadra 208 Sul, em Palmas. Nas redes sociais, a mãe transformou a dor em um lamento público e em uma promessa incansável: “Me perdoa, meu filho”, escreveu em uma postagem. Em outra, cravou: “Vai ter justiça”.