A defesa da ex-companheira do cabo da Polícia Militar de Pernambuco José Maria Alexandre da Silva Júnior, de 40 anos, apresentou nesta terça-feira (17) novos detalhes sobre a noite que antecedeu a morte do policial. De acordo com os advogados da mulher, ela teria notado que o militar trocou as taças onde ambos consumiam energéticos e, desconfiando de possível envenenamento, agiu para reverter a situação antes dela ingerir a bebida.
O caso permanece registrado como “morte a esclarecer” pela Polícia Civil, que ainda aguarda os laudos periciais para determinar a real causa do óbito. A hipótese de envenenamento não foi confirmada nem descartada pelas autoridades até o momento.
Silva Júnior, lotado no Regimento de Polícia Montada (RPMont), morreu na quinta-feira (11) após passar mal no apartamento da ex-companheira, uma corretora de imóveis de 48 anos cujo nome não foi divulgado, localizado no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Segundo o advogado Rafael Nunes, o relacionamento entre o casal durou cerca de seis meses e, desde março, a mulher era vítima de violência doméstica, com medida protetiva em vigor contra o policial devido a episódios anteriores de agressão. Apesar da ordem judicial, o PM teria procurado a ex-companheira insistentemente e, por volta da 1h do dia do fato, foi autorizado a subir ao apartamento.
De acordo com o relato da defesa, os dois conversavam e consumiam energético quando a mulher percebeu que as taças haviam sido trocadas. Os recipientes, conforme explicou o advogado, eram marcados com um ponto preto para diferenciar os utensílios utilizados pelos inquilinos do imóvel, já que ela sublocava quartos do apartamento.
“Ele tirou a bota, colocou do lado da poltrona, perguntou se tinha energético. Iniciou um papo, pediu gelo, ela foi e, quando voltou, percebeu que as taças estavam trocadas. Ela ficou em estado de choque, perplexa, aflita, com medo. Esperou o melhor momento para destrocar as taças. Pediu para ele pegar seu coturno e deixar na varanda. Ele não percebeu e ela destrocou”, narrou Nunes.
Ainda segundo a defesa, houve uma discussão entre os dois, mas sem agressões físicas. No entanto, movido por ciúmes, o policial teria arremessado o próprio celular e o da mulher pela janela.
Após o desentendimento, ambos foram dormir. No quarto ao lado, estava um dos inquilinos da corretora. Pela manhã, por volta das 7h30, ela chegou a comentar com o locatário que havia percebido a troca das taças, antes de o policial passar mal.
“De meio-dia, ele começou a passar mal, ficou roxo, espumando. Ela desceu, pediu socorro e o porteiro chamou o Samu, que constatou o óbito”, informou o advogado Flávio Lapenda, que também integra a defesa.
A versão apresentada ainda será confrontada com as provas periciais. O advogado Rafael Nunes acrescentou que o policial era usuário de maconha e que, em seus pertences, foram encontrados uma faca peixeira, uma porção da droga e medicamentos. “A polícia vai identificar se é veneno ou não. Esperamos que não seja. O fato é que, horas depois, ele passou mal, ela chamou o Samu e, posteriormente, foi detectado que ele estava em óbito. Ela foi ouvida não na condição de autuada, mas para esclarecer as questões, detalhou tudo e está à disposição da polícia”, concluiu Nunes.