Um juiz do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) foi afastado do cargo após virar alvo de um processo disciplinar que reúne críticas sobre decisões judiciais e até comentários sobre sua aparência e origem indígena. Yves Luan Carvalho Guachala, que ingressou na magistratura pelo sistema de cotas, corre o risco de ser demitido enquanto o caso segue em análise.
Durante a apuração interna, testemunhas fizeram declarações sobre a ascendência indígena do magistrado, o modo como ele se vestia e até o fato de praticar exercícios físicos usando regata e shorts em espaços públicos. Em um dos relatos, uma pessoa afirmou que o juiz “facilmente levaria enquadro” por causa da aparência. Outro depoimento mencionou que moradores chegaram a associá-lo ao “novo traficante da cidade”.
O processo também cita insatisfação com decisões tomadas pelo magistrado na Vara de Catanduvas, no interior catarinense. Entre os casos que geraram repercussão negativa na cidade estão a soltura de suspeitos durante audiências de custódia e a extinção de ações de baixo valor consideradas antieconômicas, medidas que seguem orientações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Na defesa apresentada ao tribunal, Yves Guachala alegou que houve parcialidade e uma “pescaria de provas” durante a investigação. Segundo ele, a correição reuniu diferentes reclamações sem um foco definido, incluindo críticas pessoais e comentários sobre sua vida fora do ambiente de trabalho.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina informou que o magistrado continuará afastado enquanto o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) estiver em andamento. O TJSC afirmou que não comenta casos em tramitação, mas declarou que repudia qualquer forma de discriminação. O CNJ informou que os procedimentos ligados ao caso estão sob sigilo.