quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Juiz de origem indígena é afastado após testemunhas dizerem que ele “parecia traficante”

Um juiz do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) foi afastado do cargo após virar alvo de um processo disciplinar que reúne críticas sobre decisões judiciais e até comentários sobre sua aparência e origem indígena. Yves Luan Carvalho Guachala, que ingressou na magistratura pelo sistema de cotas, corre o risco de ser demitido enquanto o caso segue em análise.

Durante a apuração interna, testemunhas fizeram declarações sobre a ascendência indígena do magistrado, o modo como ele se vestia e até o fato de praticar exercícios físicos usando regata e shorts em espaços públicos. Em um dos relatos, uma pessoa afirmou que o juiz “facilmente levaria enquadro” por causa da aparência. Outro depoimento mencionou que moradores chegaram a associá-lo ao “novo traficante da cidade”.

O processo também cita insatisfação com decisões tomadas pelo magistrado na Vara de Catanduvas, no interior catarinense. Entre os casos que geraram repercussão negativa na cidade estão a soltura de suspeitos durante audiências de custódia e a extinção de ações de baixo valor consideradas antieconômicas, medidas que seguem orientações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Na defesa apresentada ao tribunal, Yves Guachala alegou que houve parcialidade e uma “pescaria de provas” durante a investigação. Segundo ele, a correição reuniu diferentes reclamações sem um foco definido, incluindo críticas pessoais e comentários sobre sua vida fora do ambiente de trabalho.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina informou que o magistrado continuará afastado enquanto o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) estiver em andamento. O TJSC afirmou que não comenta casos em tramitação, mas declarou que repudia qualquer forma de discriminação. O CNJ informou que os procedimentos ligados ao caso estão sob sigilo.

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