A Polícia Civil do Pará deflagrou na última segunda-feira (23), em Belém, a “Operação Origem”, que resultou na prisão preventiva de Frank William Pereira Pacheco, cabo da reserva da Marinha do Brasil. Ele é investigado pelos crimes de tráfico de pessoas, falsificação de documento público e uso de documento falso. As investigações buscam localizar um bebê de seis meses que seria vítima do esquema.
Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão na residência do suspeito. Até a última atualização desta reportagem, a defesa de Pacheco não havia sido localizada para comentar o caso.
Segundo as apurações, Pacheco utilizou uma Declaração de Nascido Vivo (DNV) extraviada, originalmente emitida pela Santa Casa de Misericórdia de Belém para outra criança, para registrar um recém-nascido de forma fraudulenta. O documento falso indicava que a criança era filha do militar e de Sebastian Silva dos Santos, apontada como suposta mãe pela investigação.
A genitora real da outra criança deu à luz em agosto de 2025. Ao procurar um cartório para registrar o próprio filho com a segunda via da DNV, ela descobriu que um registro já havia sido feito em seu nome, mas com pai ignorado e uma fotografia diferente no documento de identidade. Exames de perícia papiloscópica e documentoscópica confirmaram as irregularidades biométricas e biográficas, comprovando a falsidade documental.
Inicialmente, o caso apontava para uma adoção ilegal, mas a polícia agora trabalha com a hipótese de tráfico de pessoas. Durante as buscas no endereço do investigado, o bebê de seis meses registrado como filho de Pacheco não foi localizado com a família, que nega qualquer conhecimento sobre a criança.
O suspeito alegou, em depoimento, que teria encontrado a DNV e outros documentos na rua, e que registrou a criança apenas para obter auxílio-natalidade, insistindo que o bebê “jamais existiu”. A versão, no entanto, é considerada inconsistente pelas autoridades policiais.
Pacheco já possui antecedentes criminais por falsificação de documentos de veículos e cumpre pena em regime aberto por esses delitos. Durante a operação, seu celular foi apreendido. Ele foi interrogado e permanece à disposição da Justiça. As diligências seguem em andamento para localizar o bebê, esclarecer sua origem e identificar outros possíveis envolvidos no esquema de tráfico de pessoas e falsificação em Belém.
Em nota, a Marinha do Brasil afirmou que “não compactua com qualquer tipo de conduta que atente contra a dignidade humana, principalmente de crianças, e repudia desvios comportamentais que não encontram respaldo nos princípios éticos da Força”.