O corpo de Ernesto Floriano Damasceno Vilanova, detento com deficiência visual, de fala e intelectual que havia sido liberado sem o conhecimento de sua família ou defesa, foi encontrado sem vida na manhã desta quarta-feira (7), na casa onde morava em Ceilândia, no Distrito Federal. A suspeita inicial é de morte por sufocamento durante o sono.
A irmã de Ernesto foi a última pessoa a vê-lo com vida na terça-feira (6), quando foi à residência para preparar sua comida e administrar seus medicamentos. Ela informou que voltaria na quarta para levá-lo a um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Ao retornar, encontrou-o de bruços no quarto, sem resposta. O Corpo de Bombeiros foi acionado e confirmou o óbito.
O caso ganhou notoriedade após revelações sobre a forma de sua liberação. Preso em 28 de novembro do ano passado por ameaçar a cunhada, Ernesto teve um alvará de soltura expedido quase um mês depois. No sábado, 27 de dezembro, ele deixou o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) do SIA usando tornozeleira eletrônica, mas sem que sua advogada, Polyana Peixoto da Cruz, ou seus familiares fossem formalmente comunicados.
De acordo com a defensora, em situações anteriores de revogação de prisão, a comunicação era realizada por e-mail. Desta vez, ele saiu sozinho da unidade. A morte ocorre em meio às consequências dessa falha no protocolo de comunicação do sistema penitenciário.