Durante uma sessão do Tribunal do Júri em Marabá, no sudeste do Pará, um vídeo que circulou nas redes sociais registrou o momento em que a advogada de defesa Cristina Alves Longo se dirigiu à mãe de uma vítima de feminicídio para pedir desculpas por atuar no processo. A abordagem ocorreu no Fórum da Comarca, enquanto era julgado William Araújo Sousa, acusado de matar Flávia Alves Bezerra.
As imagens mostram a advogada se aproximando de Paula Carneiro, mãe da vítima, no hall do fórum, onde afirmou que sua atuação se dá por dever profissional. Cristina destacou que o exercício da advocacia garante o direito constitucional de defesa e não representa concordância com o crime atribuído ao réu, reconhecendo, ao mesmo tempo, a dor da família.
“Entendo sua dor”, chega a dizer a advogada.
Paula Carneiro ouviu a manifestação sem responder. Antes do julgamento, a mãe de Flávia havia criticado publicamente a advogada nas redes sociais, o que ampliou a repercussão do caso e gerou debates sobre os limites éticos da atuação da defesa em crimes de grande comoção.
William Araújo Sousa foi condenado a 17 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, caracterizado como feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. Conforme a acusação, Flávia foi vista pela última vez ao sair de uma casa de shows com o réu, e seu corpo foi localizado cerca de dez dias depois, enterrado em uma cova rasa na zona rural de Jacundá. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou asfixia como causa da morte.