Uma ação civil pública movida pelo Instituto SOS Animais e Plantas na 5ª Vara da Fazenda Pública de João Pessoa pede R$ 1 milhão em medida cautelar para “garantir a integridade física” da leoa Leona, residente no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (a Bica). O caso reacende o debate sobre o destino do animal, envolvido na morte de um jovem com problemas psiquiátricos, e divide opiniões entre defensores dos animais e especialistas em vida selvagem.
O professor Francisco José Garcia, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPB), e parceiro da ONG, justificou o valor como um “início” de reparação por “danos morais coletivos” à população brasileira e ao próprio animal, garantindo que eventuais recursos seriam destinados ao “Fundo de Defesa de Direitos Difusos”. Ele negou qualquer interesse em transferir Leona para um santuário.
Contrariando essa versão, o biólogo e comunicador Henrique Abrahão Charles acusou a instituição de buscar, na verdade, remover a leoa do zoológico por interesses duvidosos com o pedido milionária. Essa estratégia, segundo ele, já teria fracassado no caso da elefanta Lady, retirada da Bica há alguns anos e posteriormente eutanasiada em um santuário no Mato Grosso.
“A mesma ONG está querendo tirar a leoa de lá. Um milhão de reais, dá para acreditar?”, questionou Henrique, ressaltando que Leona é um animal selvagem que reagiu por instinto ao ter seu espaço invadido pelo jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que pulou a cerca do recinto, foi atacado e morreu.
O biólogo defende que a leoa, nascida em cativeiro há 19 anos, deve permanecer em um zoológico, não em um santuário. “Se a leoa tiver que sair de lá, é para outro zoológico”, afirmou.