A comoção em torno da morte da jovem Vanessa Lara, de 23 anos, encontrada com sinais de violência sexual e estrangulamento na última segunda-feira (9) em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ganhou novos contornos nesta semana. O irmão da vítima, Matheus, divulgou imagens de câmeras de segurança que mostram dois homens passando pelo local do crime e, aparentemente, percebendo algo anormal, não prestaram socorro nem acionaram a polícia.
Nas gravações, é possível ver os dois indivíduos que transitavam por uma pista de caminhada da cidade. Em determinado momento, ambos olham para trás, como se desconfiassem de algo. Um deles chega a fazer o sinal da cruz. Apesar dos gestos, a dupla segue o trajeto normalmente, sem oferecer qualquer tipo de assistência à jovem, que já se encontrava em situação de vulnerabilidade e provavelmente gritava. O corpo de Vanessa foi localizado no dia seguinte com a ajuda de um drone utilizado por familiares e moradores da região.
A vítima estava no último ano do curso de psicologia e dividia a rotina entre a cidade onde morava com os pais, Pará de Minas, na região Central do estado, e o trabalho em Juatuba. Vanessa atuava em uma empresa terceirizada que prestava serviços ao Sistema Nacional de Emprego (Sine). Na segunda-feira (9), por volta do meio-dia, ela esteve no Sine e, depois disso, simplesmente desapareceu. A família, ao notar a ausência e a falta de contato, procurou a Polícia Militar ainda no mesmo dia para registrar o desaparecimento.
Suspeito com extensa ficha criminal
Enquanto a família lidava com o luto, as investigações avançavam. Na última quinta-feira (12), a Polícia Militar prendeu Ítalo da Silva, de 43 anos, principal suspeito do assassinato. Ele foi capturado em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, quando tentava fugir em uma composição férrea.
A trajetória criminal de Ítalo chocou a população e reacendeu o debate sobre o sistema prisional. O suspeito possuía um histórico extenso de passagens pela Justiça, incluindo condenações por estupro, tráfico de drogas, furto e roubo. Dados do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) indicam que ele já havia cumprido cerca de 24 anos de pena, de um total de 38 anos, 10 meses e 29 dias a que foi condenado por diferentes crimes ao longo das últimas duas décadas.
Apesar do histórico, Ítalo estava em liberdade desde dezembro de 2025, quando obteve progressão para o regime semiaberto domiciliar. Na ocasião, ele indicou à Justiça um endereço em Juatuba, para onde foi transferido o processo em janeiro deste ano. Agora, com a prisão preventiva decretada, ele deverá permanecer recluso enquanto as investigações são concluídas e a Justiça apura sua participação no brutal assassinato da universitária.