Imagens que circulam nas redes sociais desde outubro do ano passado registraram os instantes finais da abordagem policial que resultou na morte de João Paulo Maciel dos Santos, de 19 anos, no bairro Vila da Prata, Zona Oeste de Manaus, no Amazonas. O caso motivou uma operação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) deflagrada nesta sexta-feira (13), com a prisão preventiva de 11 policiais militares.
Nas gravações, é possível ver o jovem sem camisa, com as mãos para trás, sendo revistado por agentes da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam). Em determinado momento, um policial conduz João Paulo para uma passagem lateral de uma residência, enquanto outros oito colegas permanecem no local da abordagem. Minutos depois, dois agentes entram no mesmo corredor e retornam carregando um corpo envolto em um material semelhante a um lençol.
A Rocam informou, à época, que os policiais foram ao beco Arthur Virgílio após uma denúncia anônima sobre tráfico de drogas na região. De acordo com a versão oficial da corporação, os agentes teriam sido recebidos a tiros ao tentar acessar a passagem lateral. No entanto, moradores e testemunhas que estavam no local contestam essa narrativa. Eles afirmam que João Paulo não ofereceu qualquer resistência durante a revista e que não houve troca de tiros antes dos disparos.
A família do jovem também sustenta que ele não tinha envolvimento com atividades criminosas e que foi executado sem chance de defesa. O caso ganhou contornos de comoção pública após a divulgação das imagens, que escancararam contradições entre o relato oficial e o que de fato ocorreu.
As investigações conduzidas pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça Especializadas no Controle Externo da Atividade Policial apontaram indícios de que, após a morte do jovem, parte dos agentes envolvidos teria simulado uma tentativa de socorro e alterado a cena do crime. Esses elementos sustentam, contra alguns dos investigados, a acusação de fraude processual.
Prisões e buscas
Foram presos preventivamente os policiais Fernanda Braga de Oliveira, Luilson Marlon Valentim, Rudicimar Cunha Cativo, Tiago Salim de Lima, Jean Thiago Correia Negreiros, Alain José Campos da Silva Junior, Humberto Gondin Barbosa Neto Passos, Wilkens Diego Feitosa da Silva, Marcel Alves de Paiva, Denis Ferreira de Souza e Gelson Zanelato Filho.
Além das prisões, a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a outros 19 investigados. Entre os alvos das medidas estão Tiago Pereira de Oliveira, Silvano dos Santos de Lima, Ronildo Farias de Sousa Filho, André Matos de Brito, Roniery Cruz Gonçalves, Jurandir Sena da Silva Junior, Gean Gurgel Leal e França de Jesus Gurgel Leitão.
O processo segue em tramitação na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. A Polícia Militar do Amazonas ainda não se manifestou oficialmente sobre as prisões.