A Polícia Civil e a Polícia Militar prenderam na manhã desta quarta-feira (18) o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, indiciado por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no último dia 18 de fevereiro. A prisão ocorreu no apartamento do oficial, localizado na rua Roma, no bairro Jardim Augusta, região central de São José dos Campos, interior de São Paulo.
Por volta das 8h12, um comboio formado por agentes da Polícia Civil e da corregedoria da PM chegou ao imóvel para cumprir o mandado. De acordo com a Polícia Civil, o tenente-coronel foi localizado em sua residência e será conduzido ao 8º Distrito Policial, na capital paulista, onde passará por interrogatório e formalização do indiciamento.
A prisão foi solicitada à Justiça na terça-feira (17), com aval do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da PM. O pedido foi acolhido pela Justiça Militar, que decretou a medida. A decisão das autoridades foi embasada em laudos da Polícia Técnico-Científica anexados ao processo. Dois documentos foram determinantes para a mudança na condução do caso: a análise da trajetória da bala que atingiu a cabeça da vítima e a profundidade dos ferimentos encontrados.
Com base nessas evidências, o delegado responsável concluiu que não se tratou de suicídio, como inicialmente registrado. Os laudos também descartaram gravidez ou uso de substâncias que pudessem ter deixado Gisele inconsciente, mas revelaram a presença de manchas de sangue da soldado em outros cômodos do apartamento, o que contradiz a versão inicial apresentada pelo marido.
A perícia também identificou lesões no rosto e no pescoço da vítima. Apesar dos avanços, a delegacia aguarda resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para esclarecer a dinâmica exata do disparo e concluir o inquérito.
O caso, que completa um mês nesta quarta-feira, foi inicialmente tratado como suicídio, mas passou a ser investigado como possível feminicídio após decisão judicial. A família de Gisele sempre contestou a hipótese de autoextermínio. Em depoimento, a mãe da vítima afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo e que o oficial era controlador e violento. Mensagens enviadas por Gisele a uma amiga reforçam essa versão: em uma delas, a soldado escreveu: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata”.
Já a defesa do tenente-coronel sustenta a versão de suicídio e contesta a competência da Justiça Militar para analisar o caso. O advogado Eugênio Malavasi afirmou que a Justiça Militar não tem atribuição para processar e julgar o ocorrido, especialmente para decretar medidas cautelares. Segundo ele, a defesa vai suscitar conflito de competência com a Justiça comum, especificamente o Tribunal do Júri.