sábado, 4 de julho de 2026

Policial penal é flagrado com carga de caneta emagrecedora, anabolizantes e hormônios dentro de presídio

O scanner corporal da portaria do Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio, flagrou na mochila de um inspetor de Polícia Penal uma carga de anabolizantes, hormônios e uma caneta emagrecedora de uma substância que nem sequer foi lançada oficialmente no mercado mundial. O episódio, ocorrido às 8h40 do dia 29 de janeiro, transformou o servidor em mais um elo visível da cadeia clandestina de medicamentos que movimenta o Rio de Janeiro.

Documentos da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) mostram que a fiscalização de rotina na rua Bartolomeu de Gusmão transcorria com servidores e prestadores de serviço passando por scanner corporal e inspeção de bolsas. O equipamento acusou material suspeito dentro da mochila do inspetor, e a revista foi feita na presença do diretor da unidade e de outro policial penal. Ao abrir a bolsa, foram encontrados frascos de Durateston Plus Gold, gonadotropina coriônica humana, drostanolona propionato e uma caixa identificada como “retatrutide 40mg”.

Questionado, o policial penal afirmou que os produtos seriam para uso próprio e alegou estar “em processo de separação”. A substância que mais chamou atenção foi justamente a retatrutida, um composto que não possui registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que ainda não foi oficialmente lançado em nenhum mercado regulado. Apesar disso, já circula como uma espécie de nova joia do emagrecimento clandestino no estado.

O material foi apreendido e o inspetor, informado de que seria conduzido à 17ª DP (São Cristóvão) para apuração da origem e legalidade das substâncias. O caso gerou registro de ocorrência policial e, em 2 de fevereiro, a Seap publicou o afastamento provisório do servidor em Diário Oficial.

O flagrante no presídio é um sintoma de um mercado que explodiu no Rio. Diferentemente de canetas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que têm versões autorizadas pela Anvisa, a retatrutida não pode ser comercializada “em nenhuma hipótese”, conforme alertou a agência reguladora. A Anvisa ressaltou que medicamentos sem registro não tiveram qualidade, eficácia e segurança avaliadas, e que produtos vendidos fora de farmácias regularizadas são considerados clandestinos, sem qualquer garantia sobre composição, armazenamento ou conservação.

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