A comoção pela morte do menino Benício Xavier Freitas, de 6 anos, vítima de overdose por adrenalina no Hospital Santa Júlia, em Manaus, ainda está sendo dolorida e sentida por todos que o cercavam. O luto se estende até a sala de aula no colégio Lato Sensu, onde seu melhor amigo lida com o vazio deixado pela partida inesperada. O relato é de Thays Carioca, mãe de Pedro, que descreve um filho profundamente abalado.
Em meio à dor, Thays preserva as memórias afetuosas que uniam os dois meninos. Ela recordou nas redes sociais os lanches compartilhados (pão com Nutella) e as fantasias combinadas para eventos na escola, pequenos rituais de uma amizade genuína. A notícia sobre a gravidade do estado de Benício chegou a Pedro por acaso, através de mensagens de outras mães comentando a internação na UTI. “O que é UTI? A mãe do Benício disse que ele vai pra lá”, recordou Thays.
Naquele momento, a reação do garoto foi de fervorosa esperança, fazendo preces pela recuperação do companheiro. “E assim que eu expliquei ele correu pro quarto, se ajoelhou e pediu com tanta fé que seu amigo saísse de lá”.
O anúncio do falecimento, no entanto, provocou um forte abalo emocional no menino. Desde então, Thays relata que Pedro tem enfrentado dificuldades concretas para superar a perda, manifestadas na relutância em ir à escola, na perda de apetite e na quebra da rotina habitual.
A situação é agravada por uma circunstância particular: Pedro é autista e, ainda que já tivesse vivenciado a experiência de uma morte neste mesmo ano, a mãe ressalta que o impacto agora é completamente diferente.
A justiça do Amazonas negou o pedido de prisão e concedeu liberdade provisória para a médica Juliana Brasil Santos, responsável por receitar a medicação em dosagem muito alta para o peso e idade da criança. Ela e a técnica de enfermagem que ministrou a adrenalina foram ouvidas nesta sexta-feira (28).
