A divulgação de um trecho da audiência de custódia do empresário Ailton Rodrigues de Souza, preso por manter a ex-companheira acorrentada e amordaçada durante cinco dias, provocou forte reação nas redes sociais. Na gravação, o juiz do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) questiona o homem sobre supostas agressões cometidas por policiais militares no momento da prisão.
Durante a sessão realizada no sábado (22), ao decidir pela manutenção da prisão, o magistrado perguntou se o detento havia sido alvo de violência por parte da equipe da PM. Ailton afirmou que sofreu agressões e alegou ter recebido ameaças.
A Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) informou que a condução de uma audiência de custódia exige o cumprimento de ritos previstos na legislação. Ainda assim, a pergunta, embora considerada padrão e obrigatória, foi duramente criticada pela vítima, Emiliane Tamara Nunes Carvalho, em suas redes sociais.
“Uma vergonha isso aqui”, escreveu a mulher ao compartilhar um comentário que reprovava a postura do juiz. “‘A polícia te bateu?’??? Prendeu a ex por 5 dias e [o juiz] está preocupado com a ação policial”, dizia a publicação republicada.
Outro acrescentou: “Ele sendo mais protegido e bem tratado do que a própria vítima, um verdadeiro absurdo!!”.
O momento em que Ailton menciona o uso de calmantes para dormir por causa de crises nervosas também gerou revolta. “Coitadinho… Nessas horas toma remédio controlado, os policiais coagiram psicologicamente… e a vítima? Vergonhoso esse questionamento. Só no Brasil”, escreveu uma pessoa.
Resgate e prisão
Policiais da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste libertaram Emiliane, de 24 anos, na última sexta-feira (21), após encontrá-la acorrentada e amordaçada em um cativeiro em Águas Lindas de Goiás. O autor foi autuado em flagrante por sequestro e cárcere privado.
No local, os agentes acharam a vítima presa com algemas, cordas e uma corrente de ferro. Ela também usava uma máscara no rosto para abafar os gritos. Após ser resgatada, a jovem contou ter sofrido repetidos abusos sexuais cometidos pelo ex-companheiro.