Cristiano Alves Terto, o homem que invadiu uma sessão do Tribunal do Júri no Fórum de São José de Belmonte e desferiu diversos disparos contra Francisco Cleidivaldo Mariano de Moura, foi inocentado da imputação de tentativa de homicídio. A sentença absolutória foi confirmada oficialmente pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) na última segunda-feira (20), encerrando um capítulo polêmico que remonta a um crime de vingança familiar.
O atentado, que gerou imagens de pânico e correria entre jurados e servidores, ocorreu em novembro de 2023 e teve sua dinâmica integralmente flagrada pelo sistema de videomonitoramento do prédio. Durante a ação de justiceiro, o alvo dos disparos, que estava sendo julgado pela morte do pai do atirador, foi alvejado por seis projéteis. Conforme as investigações conduzidas pelo TJPE, a motivação de Cristiano era punir com as próprias mãos o homem acusado de assassinar seu genitor após uma discussão originada pela fuga de um animal de carga na zona rural do município.
A sessão plenária que decidiu pela absolvição foi realizada no dia 10 de abril, sob a competência da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, no Recife. Na ocasião, o Conselho de Sentença acolheu a tese defensiva e rejeitou a acusação de tentativa de homicídio imputada a Cristiano Alves Terto, concedendo-lhe o perdão judicial.
A corte estadual esclareceu que, paralelamente, o processo original que apura o assassinato do pai do atirador, no qual Francisco Cleidivaldo figura como réu, segue seu trâmite regular na Vara Única da Comarca de São José do Belmonte.
As cenas registradas pelas câmeras internas são estarrecedoras e não deixam dúvidas sobre a premeditação do ataque. Nas imagens, é possível observar Cristiano inicialmente sentado, aparentando ser um mero espectador ao lado de uma acompanhante. Em dado momento, ele se ergue repentinamente, caminha resoluto em direção ao banco dos réus e esvazia a arma contra Francisco Cleidivaldo.
Uma mulher, percebendo a ação, ainda tenta contê-lo puxando sua camisa, sem sucesso. Enquanto o plenário se dispersava em pânico com advogados, jurados e o próprio magistrado buscando abrigo, o atirador conseguiu se aproximar do réu ferido e desferiu golpes de coronhada em sua cabeça.
O autor dos disparos foi contido e preso em flagrante delito ainda no interior do fórum, portando um revólver calibre 38. Já a vítima dos tiros, único ferido no incidente, foi socorrida às pressas para uma unidade hospitalar em Serra Talhada, no Sertão pernambucano, onde recebeu os cuidados médicos necessários.
A origem de toda a tragédia remonta ao dia 5 de outubro de 2012, data em que Francisco Alves, pai de Cristiano, foi morto. Segundo os autos, Francisco Cleidivaldo confessou em juízo, durante audiência realizada em março de 2013, ter efetuado o disparo fatal. Em seu depoimento, o réu narrou que procurava um burro que havia fugido de sua posse quando foi recebido por Francisco Alves com insultos e ameaças com um pedaço de madeira. Após atirar, ele fugiu para o município de Salgueiro, onde foi capturado. A vítima chegou a ser hospitalizada, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito 18 dias depois do confronto.