O réu Jorge Bezerra da Silva, já condenado a 29 anos e 8 meses pelo assassinato da ex-companheira Priscilla Monnick Laurindo da Silva, recebeu nesta quarta-feira (3) mais uma sentença de 20 anos de prisão pela tentativa de feminicídio contra a mesma vítima. Durante o julgamento, ele ameaçou a irmã da mulher morta dentro do tribunal, dizendo que também a mataria.
Esta é a segunda condenação imposta ao acusado, que já cumpre pena pelo homicídio ocorrido em janeiro de 2022. As ameaças à ex-cunhada, que presenciou o crime anterior, foram feitas nas duas sessões do júri. Cabe recurso da decisão.
Jorge Bezerra foi sentenciado por tentativa de homicídio qualificado, com as agravantes de motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e violência doméstica e familiar.
A juíza Danielle Cristine Silva Melo, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, determinou que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) apure as ameaças proferidas pelo réu contra a irmã da vítima e tome providências, incluindo a possibilidade de transferi-lo para uma penitenciária de segurança máxima. Jorge Bezerra permanece preso na Penitenciária de Tacaimbó, no Agreste de Pernambuco, desde 25 de julho do ano passado, quando foi condenado por homicídio qualificado por meio cruel, mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima e motivação de gênero.
Segundo o TJPE, a irmã de Priscilla Monique poderá ser acolhida pelo Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas de Morte (Provita). A magistrada também declarou a incapacidade do réu de manter a guarda da filha que teve com a vítima, pelo fato de nunca ter exercido a paternidade. Contudo, a juíza registrou que essa declaração não exclui o dever de pagar pensão alimentícia, que continua sendo uma obrigação legal.
Priscilla Monnick Laurindo da Silva foi assassinada em janeiro de 2022, na casa onde morava, no bairro do Zumbi, Zona Oeste do Recife. Jorge esfaqueou a vítima no pescoço e a asfixiou por não aceitar o fim do relacionamento.
A tentativa de feminicídio aconteceu no dia 10 de abril de 2021. Segundo a acusação, a vítima tinha uma medida protetiva contra o acusado, que passou a usar tornozeleira eletrônica. De acordo com os autos, o criminoso quebrou o equipamento de monitoramento, violando a proteção legal, e tentou matá-la a facadas. A vítima estava na casa da mãe e carregava a filha recém-nascida nos braços. Uma das facadas foi direcionada à criança, mas a mãe pôs a mão na frente e a bebê sofreu apenas arranhões.
Segundo o promotor Bruno Santacatharina, da acusação, Jorge também fez novas ameaças à família da vítima na audiência de instrução do processo. Isso porque a irmã de Priscilla, que era adolescente, presenciou a primeira tentativa de feminicídio. “A irmã mais nova estava no quarto e ele não sabia. Ela foi para o local, começou a gritar e a pedir socorro a vizinhos, e foi aí que ele se assustou, deixou o capacete da moto para trás, com medo de ser preso. Ele ficou um tempo foragido, Priscilla foi socorrida, sangrou muito e, se não tivesse sido socorrida rapidamente, teria morrido”, declarou o promotor.