Uma adolescente de 17 anos foi vítima de um estupro coletivo na noite de 31 de janeiro, em um apartamento localizado na rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. De acordo com o inquérito da 12ª DP (Copacabana), obtido neste sábado (28), quatro jovens maiores de idade foram indiciados pelo crime e um adolescente de 17 anos, ex-namorado da vítima, também é investigado por ato infracional análogo a estupro. Todos tiveram mandados de prisão e apreensão expedidos, mas seguem foragidos.
Eles foram identificados como Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos, Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos, Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19 anos, e João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos. A defesa de João Gabriel nega o crime. Os outros ainda não se manifestaram.
O delegado Ângelo Lajes, responsável pelas investigações, classificou o crime como uma “emboscada planejada”. Segundo ele, a jovem foi levada a acreditar que teria um encontro romântico com o ex-companheiro, com quem manteve um relacionamento entre 2023 e 2024. No entanto, ao chegar ao local, deparou-se com outros quatro rapazes, que participaram das agressões sexuais e físicas. “Ela sofreu violência sexual, física e psicológica”, afirmou o delegado.
Em depoimento prestado na delegacia acompanhada da avó, a adolescente relatou que foi convidada pelo ex-namorado para ir ao apartamento de um amigo. Ele pediu que ela levasse uma amiga, mas, como não conseguiu, foi sozinha. No elevador, o rapaz avisou que dois amigos estariam no local e insinuou que fariam “algo diferente”, proposta que ela recusou.
Durante a relação sexual com o adolescente, os outros três jovens entraram no quarto, ficaram nus e passaram a tocá-la e beijá-la sem consentimento. A vítima afirmou que foi forçada a praticar sexo oral e sofreu penetração por parte dos quatro. Ela também levou tapas, socos e um chute na região abdominal. Ao tentar sair do quarto, foi impedida.
Um detalhe perturbador narrado pela jovem chama a atenção: em determinado momento, o adolescente que a atraiu ao local perguntou se a mãe dela costumava vê-la sem roupa. A polícia acredita que a preocupação do jovem era com as marcas das agressões e o sangramento deixados no corpo da vítima após as violências sofridas.
Ao deixar o apartamento, a adolescente enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, contou o ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.
As investigações reuniram um conjunto robusto de provas. Imagens das câmeras de segurança do prédio mostram a chegada dos jovens ao apartamento e, posteriormente, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor suspeito. Os registros também flagraram o momento em que a vítima deixa o imóvel e segue em direção ao elevador. Após acompanhá-la até a saída do prédio, o jovem retorna ao apartamento e faz gestos que os investigadores descrevem como de “comemoração”. Há ainda registros da saída dos investigados do edifício em horários próximos ao fato.
O apartamento onde o crime ocorreu pertence ao pai de Vitor Hugo e é utilizado para aluguel por temporada. Em nota, afirma que “contesta com veemência a ocorrência de estupro” e que o jovem, “estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não teve oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender”.
A conduta do adolescente foi desmembrada para a Vara da Infância e Juventude, e ele não terá a identidade revelada. O delegado Ângelo Lajes destacou que, por se tratar de vítima menor de 18 anos e por o crime ter sido cometido de forma coletiva, os suspeitos podem pegar até 20 anos de reclusão. A Polícia Civil realizou uma operação neste sábado para cumprir os mandados, mas ninguém foi encontrado nos endereços informados.