Um violento ataque a faca marcou a tarde da última terça-feira (7) no bairro Barra do Rio Cerro, em Jaraguá do Sul (SC). A vítima foi o jornalista amazonense Fausto Cecilio, de 40 anos, golpeado por um vizinho enquanto tentava proteger a esposa e o filho. O caso foi tipificado como tentativa de homicídio, e o agressor, identificado como Heródoto Angeli Filho.
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, o profissional levou três facadas nas costas ao se interpor entre o agressor e sua companheira. Fausto e a esposa são naturais de Manaus, mas atualmente moram na cidade catarinense.
Em seu depoimento, o jornalista contou que estava saindo de casa com a mulher, Soraya Abreu Cecilio, e o filho de apenas 1 ano, em direção ao supermercado, quando foram surpreendidos pelo suspeito. De forma repentina, o homem começou a ofender Soraya com palavras de cunho racista e xenofóbico, enquanto ela segurava a criança. Expressões como “preta safada”, “puta” e “vagabunda” foram ditas pelo agressor.
Ao perceber que estava sendo filmada, a esposa tentou registrar a violência verbal, mas o vizinho reagiu de maneira ainda mais agressiva. Para defender a família, Fausto agiu com determinação e acabou atingido três vezes nas costas. Mesmo ferido, conseguiu tomar a faca do agressor e impedir um desfecho ainda mais grave.
Logo após o ataque, conforme consta no boletim de ocorrência, o criminoso fugiu em um automóvel Onix prata, antes da chegada dos policiais militares. Soraya, por sua vez, afirmou que já haviam ocorrido ameaças de morte anteriores e que os atritos entre as famílias vizinhas eram recorrentes.
Socorrido inicialmente na Unidade Básica de Saúde do próprio bairro, Fausto foi depois transferido ao Hospital São José, também em Jaraguá do Sul, onde recebeu atendimento médico mais aprofundado.
O documento policial classifica oficialmente o crime como tentativa de homicídio doloso contra o jornalista e lesão corporal de natureza grave ou gravíssima contra a esposa, que figura igualmente como vítima no mesmo registro.
Histórico de hostilidades
O ataque da última terça-feira não foi o primeiro indício de hostilidade entre os envolvidos. Em maio de 2025, Soraya já havia prestado queixa na Delegacia de Polícia de Jaraguá do Sul, relatando ter sido chamada de “preta” por um vizinho, que teria afirmado ainda que “ia acabar com a raça deles”. Naquela oportunidade, ela não soube identificar o nome do responsável pelas ofensas.