O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) lançou uma proposta de cobrança de 1% sobre os rendimentos de profissionais formados em universidades federais, medida que apresentou como alternativa para financiar o ensino superior público sem a imposição de mensalidades diretas. A declaração se insere em uma sequência de posicionamentos de forte impacto adotados pelo político como estratégia para ampliar sua projeção nacional na pré-campanha presidencial. A disputa pelo eleitorado da direita liberal ganhou, assim, um ingrediente de elevado teor econômico e social.
A sugestão de contribuição dos egressos provocou reação imediata de centrais sindicais e entidades do setor educacional. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) acusaram o ex-governador de buscar o enfraquecimento do financiamento estatal. O episódio ajuda a moldar a imagem que Zema tenta consolidar no cenário nacional: a de um administrador de perfil empresarial, disposto a confrontar estruturas consolidadas em nome do equilíbrio fiscal e do controle rigoroso de gastos.
A polêmica na educação soma-se a outra fala de grande repercussão. Durante participação no podcast Inteligência Ltda, o mineiro defendeu a flexibilização das normas que restringem o trabalho na infância e na adolescência. Ao traçar paralelo com os Estados Unidos, onde, segundo ele, jovens entregam jornais por valores simbólicos, Zema classificou como mito a ideia de que o trabalho prejudica os jovens. Diante das críticas severas de organizações não governamentais e especialistas em direitos humanos, o político recuou. Em vídeo, esclareceu que sua intenção era propor a ampliação do programa Jovem Aprendiz a partir dos 14 anos como ferramenta de proteção contra a criminalidade.
A retórica de Zema também escalou no enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal. O ex-governador afirmou que ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli deveriam ser presos, e não apenas afastados por impeachment, sob a acusação de tolerância com a corrupção. O embate transformou-se em caso judicial quando o ministro Gilmar Mendes solicitou investigação contra o político por calúnia, após a divulgação de vídeos satíricos nas redes sociais que mencionavam fraudes no Ministério da Educação. Em movimento de alinhamento com segmentos mais conservadores, Zema também manifestou apoio à anistia dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro em Brasília.