Era para ser apenas mais um fim de expediente na rota entre o trabalho e a academia, mas a recusa firme de uma adolescente de 17 anos a um assédio transformou a noite de 25 de abril em uma tragédia no Ceará. Ana Kéveli Nogueira Batista foi morta a tiros dentro de uma loja de conveniência em Deputado Irapuan Pinheiro, e sua família agora carrega uma dor que mistura saudade e um pedido incansável por justiça.
A mãe da jovem, Aparecida Lopes, descreve a filha como uma menina aplicada e cheia de planos. “Ela não aceitava certos tipos de enxerimento”, conta, enquanto revive a imagem do sorriso que insiste em lhe visitar a memória. O sonho de Ana Kéveli era cursar Educação Física assim que concluísse o ensino médio, um futuro interrompido de forma brutal. “Eu não desejo para ninguém essa dor. Minha filha era uma menina muito boa, eu só quero que a justiça seja feita”, desabafou.
A amiga Kailane Gomes guarda com saudosismo a rotina que compartilhava com a adolescente. “A Ana virou minha irmã. Ela ia todo dia lá em casa ou eu ia pra dela, depois do trabalho a gente ia pra academia juntas”, relembra.
O crime
Naquela noite, Ana Kéveli estava na loja de conveniência de um posto de gasolina quando foi abordada por José Arimatéia Felipe, de 39 anos. A jovem reagiu negativamente às investidas, e a negativa foi respondida com tiros disparados à queima-roupa.
Três dias depois, o assassino foi preso no município de Acopiara, também no interior do Ceará. Em depoimento, confessou o crime e foi autuado por feminicídio. Sua justificativa, carregada de frieza, revoltou ainda mais os familiares: “Sei nem o que dizer, aconteceu esse acidente, tinha bebido muito. Estava falando com ela ‘de boa’, mas aí ela me xingou, eu perdi a cabeça e aconteceu”.