Mensagens analisadas pela Polícia Civil de São Paulo apontam que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto teria feito investidas insistentes e de teor íntimo contra uma soldado da Polícia Militar enquanto ainda era casado com a policial Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal.
Conforme a perícia, o oficial utilizava a posição hierárquica para tentar se aproximar da subordinada. Nos diálogos extraídos do WhatsApp, ele fazia convites pessoais, pedidos de namoro, mensagens de teor sexual e promessas de benefícios profissionais. Em uma das conversas, o tenente-coronel pediu que a soldado preparasse café para ele e outros policiais, afirmando depois que queria colocá-la como sua secretária.
Os registros também mostram que Geraldo Neto teria ido até a rua onde a policial morava sem ser convidado. Em outra mensagem, ele sugeriu que os dois fossem juntos à missa após uma “conversa com Deus”. Mesmo diante das recusas da soldado, o oficial continuou enviando mensagens afirmando ser um homem “religioso”, “honesto” e de “bom caráter”.
A defesa da policial denunciou o caso à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo por assédio sexual, assédio moral, ameaça e fraude processual. Conforme a denúncia, a soldado chegou a pedir afastamento do tenente-coronel após a esposa dele entrar em contato com ela por meio de rede social.
Geraldo Neto está preso preventivamente desde março e responde por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, Gisele Alves Santana, de 32 anos. A investigação da Polícia Civil de São Paulo concluiu que há indícios de que a policial foi agredida e imobilizada antes do disparo. Laudos periciais também apontaram contradições na versão apresentada pelo oficial, que inicialmente alegou suicídio.


