O ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, deixou a prisão nesta quinta-feira (7) após decisão da Justiça revogar a prisão preventiva decretada contra ele no Paraná. O médico havia sido detido um dia antes, acusado de abusar sexualmente de uma paciente durante um atendimento relacionado a um trabalho de parto ocorrido em 2011, no município de Teixeira Soares.
A soltura ocorreu após o Judiciário reconhecer que o caso perdeu a possibilidade de punição devido à prescrição. Pela legislação brasileira, crimes desse tipo prescrevem em 20 anos, mas o prazo foi reduzido pela metade porque o investigado tem mais de 70 anos. A defesa sustentou que os fatos aconteceram há cerca de 15 anos e pediu que o médico respondesse ao processo em liberdade.
Além desse episódio, outras mulheres procuraram a polícia para denunciar supostos abusos cometidos pelo profissional durante consultas ginecológicas, exames pré-natais e atendimentos obstétricos. Segundo a Polícia Civil, os relatos apresentam características semelhantes e indicariam um possível padrão de conduta ao longo dos anos. Algumas vítimas afirmaram que demoraram a denunciar por medo da influência política e social do médico na região.
Felipe Lucas atua na medicina desde a década de 1970 e também teve carreira política, tendo ocupado cargos como vereador, prefeito e deputado estadual. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou anteriormente que abriu procedimento para apurar as denúncias, enquanto a investigação segue em andamento para esclarecer os demais relatos apresentados contra o ginecologista.