A Polícia Civil de Boa Vista indiciou a médica Mayra Suzanne Garcia Valladão, de 35 anos, pela morte da defensora pública Geana Aline de Souza Oliveira, de 39 anos. O fato ocorreu após a realização de um procedimento para inserção de dispositivo intrauterino (DIU) no consultório particular da médica, em 18 de março.
De acordo com as investigações, o caso caracteriza-se por homicídio culposo – quando não há intenção de matar – decorrente de suposta negligência e imperícia durante o procedimento. Falhas graves foram identificadas no processo de esterilização dos materiais utilizados, incluindo a reutilização de instrumentos reprocessados por pessoa sem qualificação adequada, o que elevou significativamente o risco de contaminação.
A defensora pública Geana Oliveira começou a apresentar sintomas de febre alta e dor pélvica intensa logo após a intervenção. Seu quadro evoluiu para uma infecção pélvica severa, que provocou necrose nos órgãos reprodutivos e, posteriormente, choque séptico. Apesar de ter detectado acúmulo de líquido na cavidade abdominal quando a paciente retornou ao consultório em estado debilitado, a médica não emitiu um encaminhamento formal de urgência, uma omissão que, segundo a polícia, poderia ter agilizado o atendimento hospitalar e alterado o desfecho.
A Polícia Civil afastou rumores de que a morte estaria relacionada a gravidez ou aborto, confirmando que o óbito teve ligação direta com complicações infecciosas decorrentes do procedimento. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Roraima, que analisará a viabilidade de denúncia contra a médica.