Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) provocou uma grande reviravolta na Operação Narcofluxo, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 15 de abril. O ministro Messod Azulay Neto, da Quinta Turma do STJ, concedeu habeas corpus e mandou soltar os artistas e influenciadores presos sob acusação de lavagem de dinheiro. Entre os beneficiados estão MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Chrys Dias e Raphael Sousa, dono da página Choquei. A previsão é que todos deixem o sistema prisional ainda nesta quinta-feira (23).
O motivo da soltura foi uma falha no prazo de prisão determinado pela Justiça. O pedido original da Polícia Federal era de prisão temporária por apenas 5 dias, mas a Justiça de instância inferior decretou 30 dias. Ao analisar o caso, o relator do STJ reconheceu uma “flagrante ilegalidade” e corrigiu a medida, limitando o tempo de reclusão ao que havia sido solicitado inicialmente pela própria PF. Como a operação foi deflagrada no dia 15, o prazo máximo de 5 dias já foi superado há dias.
A defesa dos investigados, liderada pelo advogado Felipe Cassimiro, apontou a falha técnica que acabou beneficiando todo o grupo. Na decisão emitida na manhã desta quinta, o ministro Azulay Neto também decidiu ampliar os efeitos da decisão para todos os corréus que estão na mesma situação fático-jurídica. Com isso, todos os artistas e influenciadores enquadrados nessa modalidade de prisão temporária devem recuperar a liberdade nas próximas horas.
Entenda o caso
A Operação Narcofluxo investiga um esquema suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de lavagem de dinheiro ligada a apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. Ao todo, foram cumpridos 39 mandados de prisão em oito estados e no Distrito Federal. Até o momento, 33 pessoas foram presas e seis continuam foragidas.
Segundo a PF, MC Ryan SP seria o líder e principal beneficiário do esquema, usando empresas de produção musical para misturar receitas lícitas com dinheiro ilegal. Já Poze do Rodo aparece vinculado a estruturas financeiras do grupo. Os influenciadores Raphael Sousa (Choquei) e Chrys Dias são apontados como operadores de mídia, responsáveis por divulgar rifas e melhorar a imagem dos envolvidos.
Agora, mesmo em liberdade, os investigados seguem respondendo aos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas. A Polícia Federal continua apurando as responsabilidades de cada um no esquema.