quarta-feira, 4 de março de 2026

Promotores recusam caso e processo de advogada xingada de ‘cadela’ fica parado

Mais de um ano após a advogada criminalista Catharina Estrella ter sido alvo de um comentário ofensivo durante uma sessão do Tribunal do Júri em Manaus, o processo contra o promotor Walber Luís do Nascimento segue sem avanços. Ele foi acusado de compará-la a uma cadela em setembro de 2023, durante audiência pública.

A tramitação do caso está travada. Dez promotores e um juiz declararam suspeição para atuar no processo, alegando possíveis conflitos de interesse que poderiam comprometer a imparcialidade do julgamento.

O caso ganhou repercussão após a circulação de um vídeo nas redes sociais. Nele, o promotor nega a ofensa direta, mas afirma: “Eu disse que os cachorros eram leais. E levando em consideração a lealdade, eu não poderia fazer essa comparação [com a advogada], porque senão estaria ofendendo a cadela”.

O juiz responsável pela sessão, Carlos Henrique Jardim da Silva, foi punido com censura pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por omissão diante do episódio.

Enquanto o processo contra Nascimento permanece estagnado, a defesa da advogada critica a atuação do Ministério Público. O advogado Alberto Zacharias Toron classificou o impasse como “vergonhoso” e acusou os colegas do promotor de agirem com corporativismo para protegê-lo.

“O agressor segue impune. Causa estranheza que tantos promotores tenham se declarado impedidos. O que se vê é uma tentativa de blindagem institucional”, afirmou Toron.

Já a defesa de Walber Nascimento, representada pelo advogado Bruno Infante Fonseca, rebate as críticas e afirma que o processo está sendo conduzido dentro da legalidade, sem irregularidades.

Pouco mais de duas semanas após o episódio, em 27 de setembro de 2023, Walber foi aposentado pelo Ministério Público do Amazonas com salário integral de R$ 42,3 mil, além de benefícios. A aposentadoria foi justificada como decorrente de tempo de serviço. Antes de deixar o cargo, ele ainda usufruiu 20 dias de férias.

Procurados, o Ministério Público do Amazonas e o Tribunal de Justiça do estado não se pronunciaram até a publicação desta matéria.

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