quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Pr3sa por cuspir em vendedora negra, turista gaúcha pede delegado branco na delegacia

Uma turista natural do Rio Grande do Sul foi presa em flagrante na quarta-feira (21) após agredir verbal e fisicamente uma comerciante em um evento no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi encaminhada à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), onde aguarda as medidas judiciais.

A vítima, que se identifica como Hanna e optou por não revelar o rosto em entrevista, relatou que o episódio ocorreu enquanto trabalhava em um bar do evento. Ao recolher um balde de bebidas de um cliente, foi surpreendida pela ofensa da turista.

“Ela disse: ‘Vai mais um lixo’. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e cuspiu em mim”, contou Hanna. A comerciante ainda descreveu que, durante a agressão, a mulher olhava diretamente em seus olhos e repetia: “Eu sou branca”.

Hanna destacou que recebeu apoio da sua chefe, mas criticou a postura inicial da segurança do local. Segundo ela, se dependesse dos seguranças, a suspeita não teria sido levada à delegacia.

A vítima também relatou resistência em relação ao procedimento policial inicial. “O policial queria que fôssemos para a delegacia na mesma viatura, mas eu disse que não iria, porque se fosse o contrário, eu estaria no porta-malas e algemada”, afirmou. Ela acrescentou que a suspeita agiu com resistência e declarou que “aquele lugar não era para ela”.

A caminho da delegacia, a turista continuou com o comportamento discriminatório. “Ao ser conduzida à unidade policial especializada, a investigada continuou a adotar conduta discriminatória, solicitando atendimento exclusivo por um delegado de pele branca”, disse a polícia.

Ao longo da semana, Gisele havia participado da festa da Lavagem do Bonfim, cerimônia ligada a religiões de matriz africana, e publicado fotos com baianas vestidas em trajes da cultura negra e com um grupo de afoxé. Amigos próximos dizem que ela é adepta de religião de matriz africana.

O caso segue sob investigação da Decrin, que deve apurar os detalhes do ocorrido e os possíveis motivos para o ato de intolerância.

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