O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou na manhã desta terça-feira (9) a Operação Infiltrados, que resultou na prisão de três suspeitos de participarem de um esquema criminoso associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os detidos estão um investigador da Polícia Civil, um ex-estagiário da própria instituição e um policial civil aposentado.
De acordo com as apurações, o grupo utilizava informações sigilosas obtidas de sistemas internos do MP para extorquir integrantes da facção com alto poder aquisitivo. Há ainda indícios de um plano para assassinar um promotor de Justiça que atua no enfrentamento à organização criminosa.
O principal suspeito de acessar os dados restritos é Gabriel Lira de Jesus, que trabalhou como estagiário no Ministério Público. Ele teria usado credenciais e permissões do antigo cargo para localizar criminosos com grande capacidade financeira. Com essas informações, o grupo passou a realizar cobranças que podiam chegar a R$ 500 mil, oferecendo em troca proteção e a promessa de evitar investigações ou operações policiais.
Entre os presos está também Maurício Aparecido de Oliveira, investigador da Polícia Civil que ocupava cargo de chefia na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas. Ele é suspeito de ter ligação com pessoas envolvidas em um plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho, membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O terceiro detido é um policial civil aposentado, apontado pelos investigadores como facilitador na obtenção de informações sigilosas e no contato com possíveis vítimas das extorsões.
As suspeitas de ameaça contra o promotor surgiram durante o aprofundamento de investigações anteriores que já apuravam uma possível trama para executá-lo. Os investigadores tentam agora identificar se dados estratégicos sobre a atuação do membro do Gaeco chegaram a ser repassados a integrantes do PCC.
Além das três prisões, a Operação Infiltrados cumpriu 10 mandados de busca e apreensão com o objetivo de recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que ajudem no esclarecimento dos fatos. O caso segue em apuração pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com as forças de segurança.