A falsa advogada Lucila Meireles Costa, de 42 anos, morreu na última sexta-feira (22), em Teresina (PI), enquanto negociava uma possível delação premiada ligada à Operação Erga Omnes, da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). A investigação atingiu pessoas próximas ao ex-prefeito de Manaus, David Almeida, incluindo a ex-assessora Anabela Cardoso de Freitas, presa durante a operação realizada em 20 de fevereiro deste ano. Nos bastidores políticos, havia expectativa sobre o impacto que uma eventual colaboração de Lucila poderia causar no grupo político ligado ao ex-prefeito, que deixou o comando da Prefeitura de Manaus em março para disputar o Governo do Amazonas.
Lucila foi presa suspeita de se passar por advogada para acessar ilegalmente processos sigilosos da Justiça amazonense e repassar informações ao Comando Vermelho (CV). Conforme as investigações, ela utilizava de forma irregular um token pertencente a uma advogada inscrita na OAB-AM para consultar documentos restritos e monitorar decisões judiciais de interesse da facção criminosa.
Além de Anabela Cardoso, a operação também teve como alvos o servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Izaldir Moreno Barros, e o policial militar Josafá de Figueiredo Silva. A PC-AM investiga crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. Durante a ofensiva, policiais apreenderam celulares, computadores, anotações e documentos usados no esquema investigado.
Dias antes da morte, a Defensoria Pública do Amazonas pediu a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. Conforme a defesa, Lucila perdeu cerca de 35 quilos no sistema prisional e apresentava quadro severo de debilidade física e psicológica, além de episódios de delírios, alucinações e recusa alimentar. Ela estava internada desde o dia 19 de maio em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Promorar, em Teresina.
Conforme o Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi associada a diabetes descompensada, hiperglicemia e acidose metabólica e respiratória. Até a morte de Lucila, o pedido de prisão domiciliar ainda não havia recebido parecer do Ministério Público. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionado para cumprir o protocolo previsto em casos de morte sob custódia do Estado.