Apontado pelo delegado Angelo Lages como a “mente por trás” de pelo menos dois estupros coletivos no Rio de Janeiro, o adolescente investigado pelos crimes não será internado. Apesar de a Polícia Civil considerar a apreensão do menor fundamental por ele ser o elo de confiança que atraía as vítimas e o articulador das ações, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) se manifestou contra a medida. O promotor Carlos Marcelo Messenberg, da 1ª Promotoria da Infância e da Juventude, rejeitou o pedido de internação na última segunda-feira (2).
As investigações da 12ª DP (Copacabana) indicam que o menor utilizava o histórico de relacionamentos anteriores para convencer as vítimas a comparecerem aos locais dos crimes. No caso ocorrido em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, câmeras de segurança flagraram o adolescente comemorando após a saída da vítima, uma jovem de 17 anos. Ele teria arquitetado o encontro por mensagens de WhatsApp, insistindo para que ela fosse ao local sozinha após a jovem não conseguir levar uma amiga.
Enquanto o mentor segue em liberdade, quatro adultos envolvidos no estupro coletivo de Copacabana já estão presos: Mattheus Verissimo Zoel Martins, João Gabriel Xavier Bertho, Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti. Todos se entregaram à polícia em diferentes delegacias, mas nenhum deles apresentou o aparelho celular, o que levou o delegado a solicitar a quebra do sigilo telemático. A polícia acredita que os aparelhos contenham provas cruciais, como registros das agressões e compartilhamento de imagens dos abusos.
O caso tomou proporções maiores com o surgimento de novas denúncias. Duas outras jovens procuraram a polícia afirmando terem sido vítimas do mesmo grupo. Uma delas relatou que, aos 14 anos, foi abusada por pelo menos dois dos réus atuais, com a participação direta do menor investigado. Segundo o depoimento, o crime foi filmado e as imagens divulgadas pelos autores. Uma terceira vítima também registrou ocorrência nesta semana, apontando Vitor Hugo Simonin como o autor do abuso.
O laudo de exame de corpo de delito da vítima de 17 anos confirmou a extrema violência do ataque, registrando lesões genitais, hematomas pelo corpo e sangramento vaginal. O documento corrobora o relato da adolescente, que afirmou ter sido forçada a praticar atos sexuais com todos os presentes, além de ter sido agredida com socos, chutes e impedida de deixar o quarto, configurando também o crime de cárcere privado.
As defesas dos acusados negam as irregularidades. O advogado de Vitor Hugo Simonin afirma que seu cliente estava no imóvel, mas não participou do estupro, enquanto a defesa de João Gabriel Bertho sustenta que a denúncia é improcedente. O processo contra os maiores de idade corre na 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente, enquanto a situação do menor permanece sob análise da Vara da Infância e da Juventude, sem previsão de internação imediata.