quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Justiça aceita denúncia e veterinários respondem por rede ilegal de sangue de gatos

A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réus os médicos-veterinários Thaís Daniele Antonussi, de 34 anos, e Renato Franco, de 35, acusados de envolvimento em um esquema clandestino de coleta e venda de sangue felino.

De acordo com a denúncia, os dois ocupavam o núcleo de comando técnico, financeiro e comercial da organização, que atuava a partir de Monte Alto, no interior paulista.

As apurações indicam que os acusados não foram encontrados no flagrante de outubro de 2025, mas eram responsáveis pela administração das demandas, pelo custeio do transporte, pelos pagamentos e pela distribuição das bolsas de sangue. O material, obtido em condições inadequadas, era comercializado por valores entre R500eR500eR 800 em diversas regiões do país.

A investigação começou depois de denúncias sobre anúncios em redes sociais que prometiam R$ 50 a tutores em troca da entrega de gatos para extração sanguínea. Em uma diligência cumprida em um imóvel de Monte Alto, as autoridades localizaram diversos animais sedados sem acompanhamento adequado.

O MP atribui aos réus maus-tratos a seis gatos e associação criminosa. Depoimentos prestados no inquérito apontaram que os felinos eram sedados com substâncias de uso restrito, como ketamina e dexmedetomidina, por um estudante sem a supervisão direta exigida para o monitoramento dos sinais vitais.

A HemoAcademy, empresa na qual Thaís Antonussi atua como responsável técnica e coordenadora de cursos de hemoterapia, afirmou que a profissional é inocente e classificou as acusações como injustas. A veterinária não foi localizada para depor oficialmente nas fases preliminares da investigação.

Já a defesa de Renato Franco declarou que o veterinário nega veementemente as acusações e afirma que sempre pautou suas atividades pelos preceitos éticos e pelas normas do Conselho Regional de Medicina Veterinária.

Ausência de regulamentação específica

O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) destacou que o Brasil não conta com legislação federal específica para regulamentar a operação de bancos de sangue para animais.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) mantém um grupo de trabalho voltado à criação de diretrizes normativas para a atividade.

O CRMV-SP reforça que os procedimentos de coleta devem ocorrer exclusivamente em estabelecimentos registrados no sistema profissional, como clínicas, hospitais ou laboratórios, sempre sob a responsabilidade técnica de um médico-veterinário habilitado.

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