terça-feira, 20 de outubro de 2026

Homem que m@t0u idosa já tinha condenação por f3min1cíd1o no Pará, e promotor reage, indignado: ‘Não é possível’

A descoberta de que o homem detido pelo estupro e assassinato de Maria Regina Costa, de 61 anos, já respondia por outro feminicídio levou o promotor Ivan Lucas Souza a um desabafo durante a audiência de custódia. O crime que vitimou a auxiliar de supermercado aconteceu na madrugada do domingo (6), em Nerópolis, Região Metropolitana de Goiânia. O suspeito, Gilberto Pessoa Limeira, havia sido preso e condenado em 2021 pela morte de uma mulher em São Félix do Xingu, no Pará.

Foi o próprio representante do Ministério Público quem abriu sua manifestação com a crítica. Segundo ele, a legislação brasileira acaba permitindo que um réu confesso de um crime brutal volte às ruas e tire a vida de outras pessoas.

“A gente luta tanto pela proteção às mulheres nesse país e, infelizmente, a legislação de alguma forma permite que um réu confesso que cometeu um crime bárbaro em 2021 esteja em liberdade e acabe com a vida de mais uma vítima e de toda sua família”, afirmou.

Documentos do Judiciário paraense mostram que, no caso anterior, Gilberto admitiu ter matado Lucimar Feitosa de Souza e deixado o corpo dela dentro de um bueiro.

Com quase cinco anos de atuação como promotor, Ivan disse ter se surpreendido com a crueldade empregada contra Maria Regina. Ao tomar conhecimento da condenação anterior do suspeito, questionou como ele poderia estar em liberdade tão rapidamente.

“Na hora, fiquei questionando qual seria o motivo dele estar em liberdade. Não é possível que alguém que tenha cometido um crime tão cruel em 2021, esteja em liberdade em 2026 para cometer novos crimes”, disse.

Para o promotor, o pronunciamento reflete a tristeza genuína de quem trabalha diariamente na defesa dos direitos das mulheres. “É um desabafo de um promotor de Justiça que atua todos os dias na defesa dos direitos das mulheres”, concluiu.

Câmeras registraram abordagem perto da casa da vítima

Gilberto foi preso em flagrante pelos crimes de feminicídio e estupro. As apurações da Polícia Civil apontam que Maria Regina caminhava a poucos metros de sua residência quando foi surpreendida pelo suspeito. A aproximação dele e o momento em que ele a leva para dentro de um terreno ficaram registrados por uma câmera de segurança.

No local, conforme a polícia, a mulher foi agredida e violentada sexualmente. Em seguida, o homem deixou a área.

A captura aconteceu em uma distribuidora da cidade, onde Gilberto bebia. Ao ser abordado, ele tentou se apresentar como o irmão, mas os agentes perceberam a troca. Marcas de arranhões pelo corpo do suspeito, de acordo com a investigação, foram deixadas por Maria Regina durante a tentativa de se defender.

À polícia, o irmão de Gilberto contou que ele chegou em casa em estado de susto, dizendo que havia cometido uma “besteira”. O delegado André Fernandes destacou que a vítima era vista na cidade como uma trabalhadora dedicada e de convivência tranquila.

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