O condenado por feminicídio João Pedro Pereira dos Santos, foragido do sistema prisional do Pará, foi preso pela morte brutal de Dayse Diniz, a jovem que desapareceu na noite de quinta-feira (23) e cujo corpo só foi localizado nesta quarta-feira (29), em uma área de mata densa na comunidade São Brás, região do Eixo Forte, em Santarém. A confissão veio acompanhada de um detalhe macabro: ele cometeu outro crime deliberadamente para forjar um álibi.
De acordo com a delegada Mila Moura, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Dayse jamais havia cruzado o caminho do assassino antes daquela noite. A jovem conheceu uma pessoa durante a madrugada em um bar e, por meio desse contato, acabou seguindo até uma chácara na comunidade São Brás. João Pedro já estava no local e de lá não arredou o pé.
“O acusado não saiu da chácara. Ele apenas chamou outras pessoas para irem até lá. Era conhecido de uma pessoa que ela conheceu naquela noite e, como ela estava junto, acabou indo também”, detalhou a delegada. Foi na propriedade que o feminicídio se consumou.
Justificativa vazia
Questionado sobre a motivação, o assassino ofereceu apenas a desculpa mais rasa. “Ele não tinha nenhum tipo de relação com a vítima. Conheceu ela naquele dia e não deu nenhuma explicação para o crime. Apenas disse que havia bebido muito e que cometeu o homicídio”, relatou Mila Moura.
O que verdadeiramente intrigou os investigadores foi a estratégia adotada por João Pedro nos dias seguintes ao assassinato. Ele praticou um roubo sem arma de fogo, sem violência real, apenas ameaças verbais. Durante o interrogatório, confessou que o gesto foi calculado.
“O assalto não tinha arma, não tinha nada. Ele simplesmente ameaçou as pessoas porque queria ser preso. Sabia que poderia ser morto ficando fora e acreditava que seria solto em pouco tempo. Seria um álibi”, explicou a delegada. O criminoso temia ser executado nas ruas e enxergou na cela uma espécie de refúgio temporário.
Ao ser detido forneceu nome falso e identificou-se como “Sidney”. Mas a ficha logo caiu e a polícia Civil descobriu sua verdadeira identidade e, com ela, um passado tenebroso: João Pedro Pereira dos Santos era foragido da capital paraense, condenado por outro feminicídio, cometido no município de Uruará.
Até o momento, as investigações não apontam a participação de terceiros no assassinato de Dayse. Sobre a possibilidade de violência sexual, a delegada Mila informou que depende do que a perícia vai informar.
João Pedro permanecerá encarcerado e responderá por mais um feminicídio e agora ocultação de cadáver. O inquérito segue sob os cuidados da Deam.